Robôs maleáveis que salvam vidas e exploram o fundo do mar


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Robôs maleáveis podem ser introduzidos no corpo humano para ajudar os cirurgiões durante as operações e se movem como um peixe para fazer pesquisas no mar. Assim funcionam os robôs maleáveis. São fabricados com materiais suaves e leves e graças à sua flexibilidade se adaptam a qualquer ambiente


Embora, ao falar em robôs, tendemos a pensar em sistemas rígidos e metálicos, os autômatos do futuro terão uma aparência totalmente diferente. Serão maleáveis, leves e flexíveis, como o Octobot. Este exemplar tem forma de polvo e se camufla como um polvo. Criado por cientistas da Universidade de Harvard (Estados Unidos), é considerado um dos primeiros robôs maleáveis e autônomos da história. Ele é feito de silicone e não precisa de cabos nem baterias para funcionar. Alimenta-se através de uma reação química que envia gás às suas patas, para que elas se movam. Isso demonstrou ao mundo que era possível a criação de máquinas maleáveis: mais seguras e capazes de adaptar-se a uma grande variedade de ambientes.

Octobot ficou conhecido em 2016, e embora o desenvolvimento destas novas máquinas ainda esteja em andamento, a aposta do mundo da robótica por estes autômatos parece clara. E assim foi demonstrado na conferência internacional sobre robôs inteligentes, IROS 2018, que aconteceu em Madri (Espanha) com o patrocínio do Banco Santander

“É uma robótica multidisciplinar capaz de mimetizar-se com o meio ambiente graças ao seu design, pois foi criada com materiais pouco convencionais”, explica a diretora e fundadora do Laboratório de Robótica Reconfigurável do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, Jamie Paik.

Por sua vez, a doutora e pesquisadora do RoboticsLab da Universidade Carlos III de Madri (Espanha), Concepción Alicia Monje, garante que a sintonia destes novos robôs com o seu entorno acontece pois “eles foram inspirados no ser humano, nos animais e até nas plantas. Em geral, os seres que habitam a natureza são mais maleáveis que rígidos, ou são uma mistura de ambos, como as tartarugas”.

Robôs maleáveis: De inspecionar os oceanos a operar pacientes

Até hoje, a robótica utilizou uma programação meticulosa para que as máquinas se movam de maneira muito precisa. Porém, o mundo maleável alterou tal enfoque. Em sua palestra  TED2018, Giada Gerboni, pesquisadora com pós-doutorado da Universidade de Stanford (Estados Unidos), explicou que “o objetivo principal não é criar máquinas superprecisas, pois isto nós já temos, mas sim robôs que enfrentem situações inesperadas no mundo real, capazes de sair ao mundo”.

No final das contas, segundo aponta Giada Gerboni, trata-se de dotar as máquinas de uma “inteligência corporal” própria dos seres vivos para que sejam maleáveis e para que suas aplicações sejam infinitas.

exploração oceânica é uma delas. Uma equipe do Laboratório de Informática e Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, desenvolveu o SoFi, um peixe robótico que nada infiltrado entre as demais espécies do mar. Ele tem uma cauda que imita o movimento dos peixes reais, e através de sua câmera realiza um estudo em tempo real do fundo do mar. Além disso, graças à sua flexibilidade, pode inspecionar áreas de difícil acesso, como os recifes de coral.

Assim como entram nos lugares mais recônditos do mar, estes robôs maleáveis também se movem sob a terra para salvar a vida das pessoas em caso de catástrofes. Desta forma pretende atuar o robô maleável em forma de cilindro, desenvolvido na Universidade de Stanford (Estados Unidos). Ele cresce quando recebe ar injetado, mudando de forma e de tamanho segundo a situação.

É fabricado com um plástico de baixo custo, capaz de percorrer longas distâncias e adaptar-se ao ambiente no qual se move. No caso do desmoronamento de um edifício, este robô se situaria entre os escombros e se estenderia pelas brechas até chegar às pessoas presas. Graças à câmera integrada no robô, as equipes de resgate poderiam localizar rapidamente as vítimas.

flexibilidade não é a única vantagem da robótica maleável. Outra vantagem é sua capacidade de facilitar a relação máquina-humano. Na RoboticsLab, por exemplo, estão criando um pescoço maleável para seu humanoide assistencial TEO, que ajuda as pessoas a realizar diversas tarefas. “As empresas querem incluir elementos maleáveis em seus protótipos, sobretudo nos robôs que manipulam objetospara que o espaço de trabalho seja cada vez mais seguro”, explica Alicia Monje, que matiza: “Não é a mesma coisa um impacto contra um elemento rígido ou maleável.”

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