“Blockchain”: o essencial para que você entenda do que se trata

Apresentamos termos que você deve conhecer para entender do que se fala quando falamos em “blockchain”.

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Esta tecnologia chegou com força, e muitos elogiam suas múltiplas aplicações em diferentes campos, das finanças à medicina, passando pelo meio ambiente. Apresentamos termos que você deve conhecer para entender do que se fala quando falamos em “blockchain”.


Os idiomas evoluem, se misturam, mudam. A última edição do Dicionário da Língua Espanhola, publicada em 2014, contém mais de 93.000 palavras (5.000 a mais do que a anterior) e quase 200.000 acepções. O Oxford English Dictionary, o mais completo da língua inglesa, contém umas 600.000, e ganhou cerca de 1.400 em sua última revisão. A globalização e o desenvolvimento de novas tecnologias tornam necessário criar novos conceitos e dotar de novos significados os já existentes.

Uma das recentes tecnologias emergentes é a blockchainou cadeia de blocos. Este temo, que já é complicado de entender, não costuma ser compreendido sem um contexto e uma bagagem adequadas. Está cada vez mais na moda e toma conta das manchetes a necessidade de um dicionário próprio e a Blockchain Espanha pôs mãos à obra.

“Como estamos vendo algo completamente novo, também se cria uma linguagem nova. Devemos cunhar termos e entrar em acordo sobre seus significados”, explica o consultor, analista de blockchaine colaborador do projeto Íñigo Molero. Estas são as palavras que você deve conhecer se pretende entender o que significa essa história de comprar criptomoedas e investir em Bitcoins.

Antes de começar: de onde veio blockchain?

  • A pessoa (ou pessoas): Satoshi Nakamoto

Embora sua verdadeira identidade seja desconhecida, o criador ou grupo de criadores por trás da origem da blockchainse oculta sob o nome de Satoshi Nakamoto. No dia 1 de novembro de 2008, Satoshi publicou um documento descrevendo um sistema de dinheiro digital. Em janeiro do ano seguinte, ele lançava ao mundo o software ou protocolo Bitcoin e as primeiras unidades da moeda, chamadas bitcoins. Íñigo Molero destaca que não surgiu de uma ideia pré-concebida, mas que “a grande proeza de Satoshi Nakamoto foi reunir toda a tecnologia de criptografia existente, algoritmos RSA (sistemas criptográficos) e fatoração de primos, e condensar de maneira elegante”.

  • O objetivo: eliminar gastos duplicados

Imagine que você venda uma fotografia digital e a envie por e-mail. Esse ativo continua no seu computador, também no do receptor, e pode estar no de um terceiro que tenha hackeado a rede. Este é o problema do dinheiro digital: o chamado gasto duplo, o defeito que faz uma moeda digital poder se utilizada mais de uma vez em um sistema descentralizado. “Esta é a revolução de Satoshi: a blockchain resolve algo que não podia ser solucionado até agora: é a tal segurança e transparência que consegue eliminar o efeito do gasto duplo”, explica a coordenadora do projeto Beatriz Lizarraga, que diz também: “Com a blockchain, quando você envia a imagem, ela desaparece do computador e todos os movimentos deixam rastro.” 

  • O método: em código aberto (open source)

Satoshi Nakamoto escolheu este modelo de criação de software, baseado na colaboração aberta, da qual todo mundo pode dispor de maneira livre. “Esta maneira de trabalhar tornou a blockchain uma comunidade de conhecimento que é gerada continuamente e que é posta em comum”, diz Beatriz Lizarraga. 

  • A chave: a descentralização

É a característica apresentada pelos sistemas que não dependem de um ponto central para que funcionem. Íñigo Molero ressalta esta palavra-chave da blockchain, pois “nos modelos descentralizados as ideias fluem, todos estamos conectados e se outorga independência”.

O vocabulário básico

  • Blockchain (cadeia de blocos)

É uma base de dados transacional distribuída, formada por cadeias de blocos criadas para evitar sua modificação uma vez que um dado tenha sido publicado, segundo a definição do glossário de Blockchain Espanha. Esta tecnologia descentraliza a gestão e elimina os intermediários como um livro de contabilidade no qual os blocos (os registros correspondentes) se enlaçam como uma cadeia e protegem a segurança e a privacidade da informação utilizando criptografia.

  • Criptomoeda

É o meio digital de intercâmbio utilizado pela blockchain e que se diferencia de moeda tradicional e do dinheiro ao não ser controlado por um organismo central, ou seja, está descentralizado. A litecoin, ether e, claro, bitcoin são criptomoedas.

  • Bitcoin

É a criptomoeda mais famosa, tudo começou com ela. É utilizada no sistema digital do mesmo nome (escrito em maiúsculas). Como explica Íñigo Molero, “foi o primeiro modelo de uso da tecnologia blockchain, destinado a ser um sistema de pagamento sem intermediários”. Satoshi queria uma moeda com as mesmas características que o ouro: que fosse limitada (não pode haver mais de 21 milhões de bitcoins), não tão simples de extrair e que mantivesse seu valor ao longo do tempo e até se valorizasse.

  • Satoshi

É a menor parte de um bitcoin.

  • Altcoin

É uma moeda alternativa (alternative coin) derivada do bitcoin ou de outra criptomoeda.

  • Token

É uma unidade de valor, um ativo digital da blockchain. Embora às vezes se utilize indistintamente, um token não é o mesmo que uma criptomoeda: toda criptomoeda é um token, mas nem todos os tokens são criptomoedas. Ou seja, a criptomoeda seria o mais parecido ao que entendemos por moedas ou dinheiro físico (euros, dólares, as moedas em si e as notas), enquanto o token engloba outros ativos, como poderiam ser as fichas de feiras, as barras de ouro ou os ativos financeiros. 

  • Mineiro

Continuando no paralelismo entre ouro e bitcoin, os mineiros são os nós que validam as transações e criam blocos no sistema. Após a mineração, eles obtêm como prêmio a criptomoeda dessa blockchain.

  • Proof of Work (prova de trabalho)

“É o mecanismo de consenso da blockchain, para que todos os usuários do ecossistema estejam de acordo que as transações que se reuniram são válidas”, indica Íñigo Molero.

A revolução da economia

  • Tokenomics ou economia do token

Trata-se do estudo da criação de incentivos econômicos, que se baseia na criação de unidades de valor sobre as quais são criados modelos de negócio autogovernáveis. Segundo Beatriz Lizarraga, isto “permite distribuir o valor de uma forma totalmente aberta e transparente, onde a confiança e o consenso jogam um papel fundamental graças às características inerentes à cadeia de blocos”. 

  • ICO (Initial Coin Offering)

“É uma nova forma de financiamento para a criação de blockchain, uma espécie de crowdfundingno qual uma start-upemite sua própria moeda, que vende para financiar-se e continuar desenvolvendo seu projeto. Também democratizou o acesso a um investimento, pois qualquer um pode comprar essas criptomoedas”, diz Íñigo Molero. Desde 2018, é a moda no mundo do investimento tecnológico: o aplicativo Status coletou 270 milhões de dólares em menos de três horas.

  • Carteira (wallet)

É uma espécie de carteira virtual que permite guardar, enviar e receber criptomoedas, como se fosse uma conta bancária. Este software armazena as senhas privadas necessárias para ter acesso às criptomoedas; caso sejam perdidas, o dinheiro se perde.

  • Contrato inteligente (smart contract)

É um programa de informática que atua como um contrato e tem a capacidade de cumprir-se automaticamente quando ambas partes chegam a um acordo sobre os termos. Funciona sobre uma cadeia de blocos de maneira descentralizada.

  • Oráculo

É a forma como os contratos inteligentes podem atuar com dados externos ao contexto blockchain para, por exemplo, unir as cadeias de blocos à Internet das Coisas (IoT) ou outras tecnologias.

A teoria foi esclarecida. E a prática? Beatriz Lizarraga recomenda que, se alguém quiser entender de verdade a cadeia de blocos “discorra, compre muito pouco de uma criptomoeda, experimente com Bitcoin ou Ethereum e conheça a experiência”.

Seja lá como for, não será preciso um especialista para poder utilizar a blockchain, como aconteceu com outras tecnologias. “Para que a blockchains e torne global, não é preciso que todo mundo entenda os conceitos mais sofisticados, os mais básicos serão suficientes”, indica Íñigo Molero. No final das contas, como destaca o especialista, “quando algo nos apaixona e enxergamos o quanto é interessante, sempre tentamos aprender”.

 

Por Patricia Ruiz Guevara

 

 

 

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