The Daily Prosper
Videogames que ajudam na recuperação de lesões

Videogames que ajudam na recuperação de lesões

Felipe Quezada criou a Kinemotion, uma empresa que cria videogames para tornar as terapias de reabilitação de lesões mais amenas e divertidas


 

Qualquer pessoa que tenha feito fisioterapia após uma lesão sabe muito bem. As sessões são chatas, os exercícios são tediosos por serem repetitivos, e os avanços, lentos e desesperadores. A recuperação se transforma em um fardo, uma obrigação para voltar a estar bem, mas algo pelo qual a maior parte das pessoas não deseja passar. Como seria possível transformar estas sessões em algo mais divertido, que motive os pacientes, enquanto exercitam a área danificada?

Eis a pregunta que o chileno Felipe Quezada não parava de repetir para si mesmo enquanto se submetia a uma fisioterapia. Um acidente de moto o obrigou a passar mais de seis meses fazendo os mesmos exercícios, dia após dia, para recuperar completamente a mobilidade do cotovelo. Com uma trajetória de criador de videogames e formação de designer digital na Universidade das Américas do Chile, decidiu aplicar seus conhecimentos para tentar tornar as sessões mais amenas e ajudar os pacientes a se sentirem mais atraídos pela terapia.

Há muito tempo, Felipe Quezada sabia que queria lançar algum projeto de empreendimento. Da combinação desta inquietude com a certeza de que os videogames poderiam servir para ajudar na fisioterapia, surgiu a Kinemotion. Com seus videogames, os pacientes fazem os exercícios habituais de terapia enquanto avançam nas fases do jogo e conseguem prêmios.

Por enquanto, eles lançaram oito jogos que ajudam nas terapias de pacientes com Parkinson, Alzheimer ou esclerose múltipla, ou nas terapias de pessoas que sofreram acidentes cerebrovasculares ou outro tipo de problemas musculoesqueléticos. Estes jogos contam com várias versões para que as terapias possam ser feitas em hospitais, colégios ou até à distância, na casa do paciente.

Em um dos videogames, o paciente assume o papel de um menino que deve chegar a uma ilha. Para conseguir isso, deve saltar de uma pedra a outra. Cada um desses saltos envolve um movimento de joelho que serve para exercitar a área. Outro dos jogos consiste em um avião que deve atravessar vários aros no ar. Trata-se de um exercício perfeito para trabalhar o equilíbrio.

Enquanto o paciente avança no jogo, vão sendo criadas estatísticas que o médico pode consultar para revisar sua evolução. Atualmente, o projeto está sendo experimentado em dois centros de saúde do Chile, e Quezada espera poder lançá-lo proximamente em outros centros. Este jovem chileno, que foi reconhecido como um dos Inovadores menores de 35 América Latina 2018 da MIT Technology Review em espanhol, tem certeza da sua utilidade: "O benefício para os pacientes é que se divertem ao mesmo tempo em que se curam.”