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Tecnologia, um salva-vidas diante dos desastres naturais

Tecnologia, um salva-vidas diante dos desastres naturais

A mudança climática é inegável. Seus efeitos, cada dia mais notórios e devastadores, quadruplicaram nos últimos 40 anos. De acordo com a ONU, na última década as catástrofes naturais causaram 700 mil mortes e custaram 1,7 trilhão de dólares. O que acionou todos os alertas e fez com que começassem a tomar medidas urgentes para aliviar seus efeitos a nível global. E, como não podia deixar de ser, a tecnologia mais inovadora está à sua disposição.


O ano de 2016 foi o pior desde 2010, desde uma perspectiva humana e econômica, por causa dos desastres naturais. A atividade vulcânica, os terremotos, as secas (um dos problemas mundiais mais imediatos), os incêndios florestais, as inundações... cada vez ocorrem com mais frequência em todo o planeta. O que fez as mudanças climáticas adquirirem protagonismo na agenda internacional.

Analistas, geólogos, climatologistas e especialistas de todos os tipos estão trabalhando para minimizar as consequências dessas catástrofes. Mas não estão sozinhos – os últimos avanços tecnológicos se unem a eles. A otimização mais precisa dos instrumentos de medição está melhorando, mais do que nunca, a avaliação de riscos. A troca de informações, os avisos antecipados, bem como a evolução da engenharia nos planos urbanos estão conseguindo mitigar os efeitos devastadores da natureza. Além disso, falamos de uma ajuda ao alcance da população, facilitando o trabalho humanitário quando tiver ocorrido o episódio.
 

I-REACT: a resposta europeia

Esta plataforma nasce com um objetivo muito claro: ser a resposta mais eficiente às emergências naturais no velho continente. Como um ponto de integração das tecnologias europeias de vanguarda, ela coleta a informação mais precisa e a analisa em tempo real.

Graças aos dados recolhidos de nove países, 20 parceiros e 12 empresas, assim como toda a informação fornecida por drones e satélites e um material tecnológico de última geração, o I-REACT permite reagir da melhor maneira possível diante dos episódios causados por desastres naturais.

As informações de incidentes passados, os relatórios em tempo real, os prognósticos meteorológicos e os dados de satélite geram mapas precisos e conectados para a previsão de catástrofes. Após o episódio, a resposta do I-REACT se centra em drones, telefones celulares, dispositivos de geolocalização e óculos de realidade aumentada que recebem e transmitem dados da área afetada para o centro de emergências.

Mas a tecnologia mais inovadora não é sua única aliada. As redes sociais também são um pilar básico do projeto. Graças a um aplicativo, a plataforma alerta massivamente os cidadãos com instruções em tempo real sobre o que fazer diante da catástrofe que está acontecendo.

"Se não freamos a mudança climática, o objetivo da tecnologia é, pelo menos, atenuar suas consequências"

"Se não freamos a mudança climática, o objetivo da tecnologia é, atenuar suas consequências"

Redes sociais e móveis, a melhor ajuda

A União Europeia não foi a única a utilizar as redes sociais como forma de difusão de um desastre natural. Na verdade, essas plataformas sociais se tornaram um meio essencial de comunicação e uma fonte de informação nas etapas posteriores a uma crise.

Após o terremoto no Haiti e o tsunami no Japão, elas se converteram em ferramentas básicas para a população sobrevivente. Com o apoio de informações de geolocalização, inteligência artificial e mapas on-line, expandiram o significado das mensagens dando a elas um valor inestimável para salvar vidas.

De fato, o celular pode se tornar nosso melhor aliado diante de um desastre natural. O programa Trilogy Emergency Relief Application (Tera) é um aplicativo de mensagens de texto em massa que a Cruz Vermelha está implementando em mais de 40 países, após seu êxito no Haiti. Essa tecnologia identifica os dispositivos móveis em uma área específica e envia mensagens maciças com informações básicas sobre onde estão disponíveis os serviços médicos ou em que ponto encontrar água potável.

Ao mesmo tempo, o projeto Tera faz com que seja mais fácil para as vítimas indicar onde estão e o que precisam com urgência. Ele também permite saber onde estão as pessoas desaparecidas cujo sinal móvel é percebido – uma informação básica em casos de deslizamentos de terra.
 

A conectividade salva vidas

As experiências citadas mostraram que a conectividade é tão fundamental após uma situação de desastre que os esforços estão sendo direcionados para aplicativos que restabelecem as comunicações depois de tais episódios. A Google é pioneira com seu projeto Loon, que visa conectar lugares de difícil acesso a partir de balões de grande altitude.

No entanto, há muito mais. Dispositivos do tamanho de uma caixa que oferecem conexão, carregadores de celular em massa, algo essencial em campos de refugiados, ou lanternas alimentadas por energia solar e conectadas a carregadores, para todos os tipos de dispositivos, são alguns exemplos.

A conectividade é tão importante como o oxigênio que respiramos. E se ela falhar, o mesmo vai passar com o projeto baseado nela. Por esse motivo, a inovação também é direcionada ao desenvolvimento tecnológico que permite que os telefones celulares se comuniquem diretamente entre si, mesmo se não há cobertura porque a rede caiu, algo muito comum após uma catástrofe.

Neste sentido, o projeto Serval é um aplicativo que permite que os celulares se comuniquem entre eles sem a necessidade de cobertura. Através de uma rede de usuários, conhecida como “rede de malha”, eles podem ligar, enviar mensagens e arquivos para outras pessoas próximas.

Porque, muitas vezes, uma mensagem ou um sinal no celular pode marcar a diferença entre a vida e a morte depois de um desastre natural.