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Tecnologia a serviço do esporte: o olho do falcão e o futebol

Tecnologia a serviço do esporte: o olho do falcão e o futebol

Este sistema já está presente em algumas das ligas europeias mais importantes e seu objetivo é erradicar os 'gols fantasmas'.


Um aviso no relógio do árbitro é suficiente para saber se a bola cruzou ou não a linha de gol. Assim é como o olho do falcão tecnologia que há anos já está sendo implementada no tênis soluciona os “gols fantasmas”. Mas como ela funciona no futebol?

Seu sistema consiste em sete câmeras em cada baliza, que criam uma imagem 3D da bola. Além disso, é instalado um microchip que garante com total precisão se a linha da meta foi cruzada. Se detectar que passou a risca, o sistema envia uma notificação ao relógio do juiz principal, que decide se deve validar o gol. Este sistema possui uma grande confiabilidade, pois a diferença entre se a bola entra ou não pode ser medida por centímetros.

o olho do falcão e o futebol

Quase todos os principais campeonatos europeus contam com ele: a Premier League inglesa desde 2013, enquanto a Bundesliga alemã e a Serie A italiana desde 2015. Também está sendo usado pela primeira vez na Liga dos Campeões desta temporada 2017/18 e, além disso, foi utilizado na última Copa das Confederações. A Espanha é o único país que ainda não implementou o sistema em sua liga nacional, embora esteja estudando essa possibilidade.

Que o olho do falcão seja capaz de resolver um jogo sem dúvida supõe um grande progresso. Estes são alguns exemplos que a intervenção desta tecnologia foi fundamental em uma partida.

o olho do falcão e o futebol
Fotos cedidas por la FiFA

O olho do falcão tem muitos defensores

Introduzir uma tecnologia como esta em um esporte como o futebol é decisivo no resultado de um jogo. É por isso que muitos torcedores e profissionais que se dedicam ao futebol pedem para a Liga de Futebol Profissional da Espanha (LFP) implementar o olho do falcão nos campos do país.

Este pedido ganhou mais força no Barcelona x La Coruña de dezembro de 2017. Embora o time azul-grená tenha vencido por 4 a 0, o árbitro não deu um gol de Luis Suárez que claramente devia ter sido assinalado.

 

A controvérsia foi enorme. Não só porque o “não gol” podia ter interferido diretamente no resultado do encontro o que não ocorreu , mas por causa da proximidade da polêmica com o Real Madrid x Barcelona, seis dias depois. A LFP não podia permitir que um erro assim acontecesse em um jogo tão importante como o Superclássico, uma vez que a maioria das ligas europeias já estão corrigindo essas falhas humanas ao introduzir a tecnologia. Além disso, com este último eram três os “gols fantasmas” que deveriam ter sido concedidos ao Barça até então.
 

A tecnologia pode falhar

O objetivo de introduzir este sistema no futebol é resolver problemas e avançar tecnicamente para evitar, na medida do possível, os “gols fantasmas”.

Ainda assim, a tecnologia não é infalível e, às vezes, pode se equivocar. Foi o caso do jogo entre Troyes e Amiens pela Ligue 1 francesa. Em um escanteio para o Troyes, o atacante Hyun-Jun Suk finalizou de cabeça e a bola explodiu no travessão. Ela quicou sobre a linha da meta e o olho do falcão validou o gol.

Diante dos protestos dos jogadores do Amiens, e depois de ver a jogada no monitor, o árbitro anulou o gol nove minutos depois. Esse erro e outros posteriores propiciaram a decisão do campeonato francês de suspender o uso desta tecnologia em suas competições.

Além dos franceses, a liga espanhola também não possui a tecnologia, portanto é o critério do juiz principal e dos auxiliares que dita se um lance termina em gol ou não. Mesmo assim, a LFP quer aproveitar a próxima temporada para testar o VAR (Árbitro assistente de vídeo), um sistema de câmeras que permite a revisão de quatro tipos de jogadas: gols, pênaltis, cartões vermelhos e lances em que seja difícil identificar um jogador.

Ao contrário do olho do falcão, o VAR exige interpretação dos assistentes de vídeo e do árbitro. São duas tecnologias diferentes, mas que podem ser combinadas para obter maior precisão. O VAR esteve presente no último Mundial de Clubes, embora não eximido de controvérsia. No jogo do Real Madrid contra o Al-Jazzira, um gol do Casemiro foi anulado, sendo considerado válido minutos depois. Mesmo assim, o árbitro decidiu parar o jogo e verificar a jogada através dos monitores. Foi quando ele encontrou um impedimento de Benzema e voltou a invalidar o gol.

o olho do falcão e o futebol
Fotos cedidas por la FIFA

O que o olho do falcão não vê, não existe

Embora não seja exata em muitas ocasiões, a verdade é que esta tecnologia tem a capacidade de mudar o rumo de um jogo e beneficiar ou prejudicar a mesma equipe em dias diferentes.

Um bom exemplo disso é o que ocorreu na Eredivise, o campeonato holandês, em que apenas alguns clubes dispõem desse sistema. Isso significa que em alguns estádios é a tecnologia que diz se é gol, enquanto em outros é o árbitro quem deve tomar a decisão, sem ajuda tecnológica.

Na temporada passada foi possível ver os dois lados da moeda. Na partida entre Feyenoord e PSV, o primeiro foi beneficiado por um gol que o olho do falcão detectou como válido por questão de centímetros. O Feyenoord venceu o jogo por 2 a 1 e se consolidou como líder da competição.

No entanto, uma semana depois, o próprio Feyenoord foi prejudicado por um “gol fantasma” que deveria ter sido validado, mas não foi já que o estádio  do Sparta não possui a tecnologia. A bola entrou, mas o árbitro não viu.

Aqui está a jogada, minuto 4:33.

Futebol e polêmica caminham, em muitos casos, de mãos dadas. Com o olho do falcão não seria diferente, por isso ele também tem sido objeto de debate. Ainda assim, é preciso reconhecer que sua intervenção em um esporte como o futebol é um grande avanço.