The Daily Prosper
Un hombre de pesca muestra sonriente un pez

A luta contra o excesso de pesca tem forma de LED

   O jovem Dan Watson criou um sistema de redes inteligentes para reduzir o problema do excesso de pesca no mundo


 

Quando Dan Watson fazia o mestrado, decidiu criar uma solução para o problema do excesso de pesca, tentando impulsionar uma indústria pesqueira sustentável. Por meio do noticiário, ele percebeu que os pescadores estavam sendo presos por capturar espécies não permitidas. Alguns deles davam a desculpa de não terem ferramentas para evitar esse problema. Então, os peixes em excesso terminavam sendo devolvidos ao mar após sua captura, e morriam. Foi então que este engenheiro mecânico e designer de produtos formado por escolas como a Universidade de Glasgow e a Escola de Arte de Glasgow (as duas no Reino Unido) começou a desenvolver sua ideia: um sistema de redes de pesca inteligente, capaz de permitir a seleção dos exemplares a serem capturados. Ele trabalha nesse projeto há três anos, como CEO e fundador da SafetyNet Technologies.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sua sigla em inglês), entre 8% e 25% das espécies pescadas são descartadas, o que se traduz em um desperdício de 27 milhões de toneladas de peixes ao ano. Isso mobilizou Watson, mesmo sabendo que a sua formação sozinha não seria suficiente. “Uma das primeiras coisas que fiz foi subir em um barco e conhecer o processo, pescar”, ele conta. “Se não projetamos uma solução com os pescadores, são poucas as probabilidades de que eles a usem.”

Lançando-se ao mar, ele descobriu desafios que ninguém lhe contara. Por exemplo: como instalar dispositivos eletrônicos em um ambiente repleto de água? Watson, que explica seu projeto de maneira bem simplificada, criou uma solução em forma de anéis inteligentes chamada PISCIS (de PISCES, em inglês). Tais dispositivos são incorporados aos aparelhos de pesca e emitem uma luz com tecnologia LED que indica aos peixes o caminho que devem seguir para sair da rede. Em situações estressantes, por exemplo, os peixes menores nadam para baixo, e os maiores para cima. Desse modo, a rede captura os exemplares mais maduros, e o restante escapa. O dispositivo e a luz que ela emite podem ser adaptados de acordo com o exemplar que se deseja pescar ou outras necessidades que tenha o pescador.

Watson, que recebeu prêmios como o de Inovador Com Menos de 35 Anos Europa 2017, da MIT Technology Review em espanhol, e o prêmio James Dyson 2012, aspira a conservar e explorar os recursos do mar de forma sustentável. A empresa já fez experimentos no Mar do Norte e garante que sua tecnologia reduz em até 60% a captura de exemplares que estão fora do objetivo da pesca. O passo seguinte é chegar a uma versão comercial. “Até hoje, fabricamos instrumentos científicos. Aprendemos muito, mas o próximo passo é produzir nosso primeiro produto comercial para pescadores”, ele explica.

Há algum conselho a quem pretenda percorrer um caminho similar? Para Watson, “o mais importante é perguntar, perguntar tudo o que for necessário. Assumir o risco. Pergunte e seja humilde, e as pessoas ajudarão sempre que puderem”.