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Inteligência artificial para acabar com as doenças infecciosas

Inteligência artificial para acabar com as doenças infecciosas

O inovador Rainier Mallol criou uma plataforma que utiliza inteligência artificial para prever, com três meses de antecedência, epidemias futuras.


 

Há dois anos, o vírus da zika deixou a América Latina em estado de alerta. Essa doença, causada por um mosquito, se espalhou por 20 países da região. O mundo inteiro começou a se preocupar quando as Olimpíadas do Rio de Janeiro perigaram, já que se recomendou que alguns esportistas não viajassem à cidade.

Um dos grandes riscos das doenças infecciosas é ser muito difícil prever seus próximos surtos com precisão. Com o objetivo de combater essas epidemias, o inovador Rainier Mallol criou a AIME, ferramenta para frear patologias como a dengue, zika e chikungunya.

Rainier, engenheiro de computação, explica que, atualmente, os centros de controle e prevenção de doenças trabalham para mitigar e eliminar as doenças infecciosas. No entanto, eles só podem analisar os padrões de comportamento dessas doenças quando elas já apareceram. A plataforma desse inovador natural da República Dominicana emprega um algoritmo de inteligência artificial que analisa grandes volumes de dados relacionados a tais doenças e é capaz de prever onde e quando surgirão novos surtos.

A fim de termos acesso a uma grande quantidade de informação sobre as pandemias (como acesso a históricos médicos, por exemplo), Rainier Mallol deixa uma intranet à disposição de hospitais e instituições. Nela, eles podem compartilhar vários documentos médicos. Para os demais usuários, Rainier criou um app móvel que reúne dados procedentes de fontes tão diversas quanto as redes sociais.

Graças à análise de toda essa informação, a AIME prevê os futuros surtos com três meses de antecedência. Com tanta antecipação, os governos poderiam impor as medidas necessárias para evitar a expansão de tais doenças a tempo, algo muito importante para frear qualquer epidemia em suas primeiras fases. Além disso, a AIME elabora diversos recursos que ajudam nas estratégias sanitárias. Um exemplo: proporciona mapas de previsões e painéis de controle nos quais é possível visualizar os históricos de outros surtos e o perfil dos afetados.

Segundo Rainier, que também formou parte da Universidade da Singularidade (EUA), no caso da dengue a precisão é de 88%. Para fazer os cálculos, ele introduziu na plataforma dados históricos relacionados a essa doença e fez as previsões. Depois, comparou os resultados com os surtos surgidos após três meses.

Rainier Mallol, que foi reconhecido como Inovador menor de 35 da América Latina 2017 pela MIT Technology Review em espanhol e que participou de grandes eventos, como o Solution Summit 2006 em Nova York (EUA), considera que a AIME não apenas melhoraria a saúde pública de forma considerável, mas também geraria um grande impacto econômico. “Por não sabermos onde nem quando surgirá o próximo surto, os recursos são investidos de maneira cega. Em certos países, como o Brasil, são investidos 1,3 bilhões de dólares anualmente, apenas para combater a dengue”, ele afirma.

A AIME já foi implementada em três cidades: Rio de Janeiro (Brasil), Kuala Lumpur (Malásia) e Manila (Filipinas). Em todas elas, o trabalho é feito em conjunto com as várias esferas de governo. Hoje, um dos principais objetivos de Rainier Mallol é levar essa ferramenta a mais países do Sudeste Asiático, já que são alguns dos mais afetados por essas doenças. Porém, como ele mesmo reconhece, seu verdadeiro desafio é construir uma sociedade mais saudável: um mundo melhor do que este que temos hoje.