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Educación en casa: pros y contras de los estudios a distancia

Educação em casa: prós e contras da educação a distância

A educação em casa, ou homeschooling, ganha cada vez mais força nos países desenvolvidos. Entre os especialistas, existe uma grande diversidade de opiniões sobre os prós e contras dessa alternativa à educação obrigatória.


Mais um ano letivo começa, e voltamos a falar em carteiras, quadros e recreios. Mas não para todas as crianças. Os quatro filhos, entre 6 e 16 anos, da presidente da Associação para a Educação Livre (ALE, em sua sigla espanhola), Ana Pérez, continuam no mesmo ritmo das férias: sem horários nem matérias. “Não fazemos diferença entre os dias da semana nem dividimos em matérias; aprendemos o que vai surgindo, pois o motor é a curiosidade das crianças.” Por outro lado, Elena, nome fictício, dedica as manhãs a ensinar, entre outras disciplinas, matemática, língua e geografia aos filhos. E durante as tardes os leva a cursos de idiomas e música, e brincam. Já a forma escolhida pela presidente da Plataforma para a Liberdade Educativa, Lucía Herranz, é outra: ela optou por levar sua filha mais velha durante algumas horas a uma escola livre, um centro de ensino onde a menina aprende no seu ritmo e onde se dá muita importância ao aspecto afetivo. Segundo Lucía Herranz, todas essas realidades são apenas alguns exemplos do chamado homeschooling (e os modelos existentes são tão variados quanto as famílias).

O termo educação em casa “é difícil de ser delimitado”, pois as pessoas “o praticam de maneiras muito díspares, revelando motivos muitos variados”, explica Carlos Cabo, pesquisador da Universidade de Oviedo, em sua tese de 2012 sobre o tema. Na Espanha, por exemplo, uma pesquisa de 2009 com mais de 100 destas famílias revela que 6 em cada 10 o fazem por motivos pedagógicos; e apenas dois por cento têm motivos religiosos. “Buscamos aprendizados que respeitem os ritmos de cada criança”, diz Ana Pérez. O denominador comum entre todos eles é que os pais assumem a responsabilidade pela instrução dos filhos durante a etapa do ensino obrigatório.

A crise econômica mundial da década de 1970 provocou um questionamento do sistema de valores e da escolarização como elemento de igualdade. Em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, esse questionamento foi traduzido como uma corrente de rejeição à escola como instituição para a transmissão de conhecimento. Desde então, segundo Carlos Cabo, o homeschooling não parou de crescer. À frente vêm os Estados Unidos, com mais de dois milhões de crianças. Logo atrás vem o Reino Unido, com cerca de cem mil. Bem depois vem a Espanha, com algo em torno a duas mil famílias, segundo dados da associação norte-americana de Defesa Legal da Educação (HSLDA, em sua sigla em inglês).

Cada país trata esse modelo de ensino de maneira diferente. Nos Estados Unidos, e em grande parte dos países europeus, como Reino Unido, França, Itália, Bélgica e Portugal, ele é autorizado sob certa supervisão. Em outros, como a Espanha, não foi totalmente reconhecido nem regularizado, mas é permitido em casos pontuais, como doença do aluno, vida itinerante e residência no estrangeiro. “Na prática, não existe controle, mas em caso de denúncia os pais podem ser obrigados a escolarizar as crianças”, diz Ana Pérez, explicando que “a tônica geral é que os serviços sociais e os juízes não tratem esses casos da mesma forma que o absenteísmo escolar por descaso dos pais”.

 

Prós e contras ideológicos

Entre os benefícios destacados pelos seguidores dessa alternativa de ensino está sua adaptação aos interesses de cada criança, fomentando a criatividade. Seus detratores, por outro lado, assinalam os riscos que apresenta à socialização e a falta de formação pedagógica dos pais. Não parece haver pontos em comum. “Tais movimentos tendem a ser altamente ideológicos”, explica Joseph Murphy, pesquisador e professor de educação da Universidade de Vanderbilt (Estados Unidos), em seu livro Homeschooling in America (Educação em casa nos Estados Unidos).

A ciência, mediadora em outros conflitos, não dispõe de muitos estudos neste campo. O problema é que “levantar dados é complicado”, como expôs Joseph Murphy em sua pesquisa, que consumiu três anos. Na Espanha, por exemplo, “sequer existe um registro das crianças, pois as famílias temem ser denunciadas”, explica Ana Pérez. Por isso, a maior parte das pesquisas se centram nos Estados Unidos, onde existe mais informação sobre o assunto.

 

Em casa e fora dela

Vinte por cento das crianças que estudam em casa podem ter problemas para se relacionar com outras crianças, estimou Francisco López Rupérez, que presidiu o Conselho Escolar do Estado na Espanha, no último Congresso Nacional de Educação em Família, em 2012. A revisão de artigos científicos recentes sobre a socialização de crianças escolarizadas em casa, feita por Richard G. Medlin, professor de psicologia da Universidade de Stetson (Estados Unidos), aponta a existência de uma “visão alarmista” deste tema, “não baseada em pesquisas empíricas”. E ele faz um adendo a favor dos homeschoolers: “Eles têm amizades de maior qualidade e relacionamentos melhores com seus pais e outros adultos.”

Em seu estudo, Joseph Murphy aponta que a maior parte destes alunos contam com redes sociais muito ricas. Mas como conseguem fazer isso? “Saindo muito de casa, viajando e frequentando espaços onde existem outras crianças”, explica Lucía Herranz. “Minha filha tem um grupinho de quatro colegas em sua aula de música, outros tantos na ludoteca; além dos filhos de nossos amigos e das crianças do parquinho. Essa é a vida real: ter amigos com idades diferentes e inquietudes distintas, repartidos em cada local que frequentamos”, ela afirma.

Entre os benefícios destacados pelos seguidores dessa alternativa de ensino está sua adaptação aos interesses de cada criança

Os pais não são enciclopédias

Outra crítica a esta alternativa educacional é que os pais não são professores certificados, e tal fato deixa de garantir uma educação de qualidade às crianças. “Saber não é o mesmo que ensinar, nenhum pai tem o direito de ensinar uma matéria pela metade ao filho”, apontou em 2008, ao jornal espanhol El País, Arturo Canalda, à época Defensor do Menor na Comunidade de Madri (Espanha).

“Nós, pais, não somos enciclopédias ambulantes. Se nos perguntam algo que não sabemos, vamos nos informar. Existe muita informação e vários recursos disponíveis. Nós simplesmente nos limitamos a estar à disposição das curiosidades dos nossos filhos”, diz Lucía Herranz. Ela leva os filhos a museus, cursos e atividades de associações locais de homeschooling. E certos pais optam por professores de apoio para algumas matérias.

Além disso, “existe muita aprendizagem fora dos limites do currículo tradicional, na vida cotidiana”, afirma Ana Pérez. Por isso ela faz tarefas cotidianas com seus filhos, e os coloca em contato com pessoas com as quais eles podem conversar. Dessa maneira, seu terceiro filho, hoje com 11 anos, aprendeu a ler e escrever sem nunca ter ido ao colégio nem ter recebido aulas específicas. Certo dia, aos 9 anos, após um tempo perguntando o que as placas das ruas diziam, ele pegou o celular da mãe e começou a ler as mensagens do WhatsApp. “Uma semana mais tarde, já conseguia ler as placas das ruas”, disse ela.

 

Madrugar não garante nada

Em geral, no ensino tradicional as crianças começam a aprender a ler e escrever entre os cinco e seis anos de idade, “pauta não baseada no fato de que a criança esteja evolutivamente preparada para fazê-lo, mas sim em uma norma”, explica Mónica Herero, pedagoga e responsável pela Factoría de Contenidos da Global Alumni. O fato de que, a curto prazo, uma criança homeschooler demore um pouco para alcançar certos pontos, não parece ser um problema na etapa universitária, pelo menos segundo um estudo conduzido em 2016 por pesquisadores de psicologia da Universidade de Minnesota (EUA).

Uma revisão de artigos científicos realizada em 2009 por Brian D. Ray, professor, fundador e presidente da organização sem fins lucrativos Instituto Nacional de Pesquisa sobre a Educação em Casa (NHERI, em sua sigla em inglês), inclina a balança a favor deste tipo de educação. De acordo com seus dados, estas crianças obtêm uma pontuação entre 15 e 30 pontos percentuais mais alta que seus colegas vindos de escolas públicas nas provas padronizadas de rendimento acadêmico.

Como comenta Murphy: “Se temos um professor dedicado a um ou dois filhos, não é surpresa que a fórmula tenha êxito.” Embora o êxito dependa da qualidade da educação e dos recursos oferecidos pelos pais. Esta é a conclusão de April Chatham-Carpenter, pedagoga da Universidade do Arkansas (EUA), em seu estudo Home vs. Public Schoolers: Differing social opportunities (Educação em casa versus educação pública: diferentes oportunidades sociais): a chave para que a educação em casa alcance bons resultados está na família.

Por Elvira del Pozo