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Crowdfunding: quando recorrer à economia colaborativa

Crowdfunding: quando recorrer à economia colaborativa

O crowdfunding surgiu nos últimos anos como uma alternativa de financiamento com suas vantagens... e também seus perigos.


O surgimento de novas tecnologias de informação tem causado mudanças na economia que eram impossíveis de se imaginar há alguns anos por exemplo, a possibilidade de implementar uma ideia empresarial, artística, solidária ou qualquer outra com apoio financeiro não de alguns grandes investidores, mas de um grupo muito maior de pequenas contribuições. Isso é o que se chama crowdfunding.

Uma ferramenta que está experimentando um boom: em quatro anos, entre 2012 e 2015, o dinheiro obtido através desse método, por particulares e empresas, cresceu nada mais nada menos do que 1.000%.

Para se ter uma ideia do volume mencionado, Kickstarter, uma das maiores plataformas de crowdfunding do mundo, orgulha-se de já ter alcançado mais de 3,2 bilhões de dólares em cerca de 130 mil projetos financiados por mais de 13 milhões de patrocinadores.

 

O que é?

Usar uma palavra do inglês, como crowdfunding, pode parecer estranho e até mesmo antipático para alguns. Podíamos adaptar o termo ao português – “micropatrocínios” ou “financiamento coletivo” –, mas o fato é que a palavra em inglês se impôs, como é o caso de muitos outros termos econômicos.

Se quisermos definir o crowdfunding com uma frase, podemos dizer que ele é uma forma de financiamento que pode cobrir todos os tipos de projetos por meio de microcréditos concedidos por um grande número de particulares ou pequenos investidores.

É uma maneira, portanto, de conseguir dinheiro por uma via alternativa dos canais habituais, permitindo uma elasticidade nem sempre ao alcance dos financiamentos bancários. Por exemplo, pode ser a solução para projetos que, pela sua própria natureza, teriam acesso complicado para um empréstimo e, não raramente, abre a possibilidade de obter quantias incomuns para os canais mais comuns de financiamento.

"O crowdfunding nasceu muito ligado a projetos artísticos ou criativos, também pode ser interessante para as PME"

Como funciona?

Como citamos, o crowdfunding pode ser veiculado graças às novas tecnologias que permitiram o surgimento de inúmeras plataformas de internet, onde os responsáveis ​​por um projeto solicitam a quantidade que necessitam para realizá-lo. Além disso, as redes sociais também são usadas para anunciar as campanhas.

Na maioria dos projetos, as contribuições podem ser tão pequenas como cinco reais. Normalmente, estabelece-se a possibilidade de fazer doações de diferentes níveis às quais são recebidas diferentes recompensas, que podem ser econômicas ou não, dependendo do tipo do crowdfunding que está sendo realizado.

A variedade de propostas é quase infinita e cada vez mais plataformas oferecem mecanismos em que o investidor obtém um interesse pelo seu dinheiro investido, mas o mais comum é obter o produto que está sendo criado ou fabricado, com vários extras de acordo com a quantia da contribuição.

Um ponto importante do crowdfunding é que o tempo para reunir todo o capital sempre é limitado. Desse modo, o dinheiro dos potenciais investidores não fica retido sem um objetivo final claro, já que se o prazo estabelecido for atingido e não foi possível obter 100% do valor solicitado, a quantia da contribuição é devolvida e o projeto é adiado ou cancelado.

 

Quando usá-lo?

O crowdfunding pode ser usado em diferentes estágios do processo empresarial ou criativo, mas geralmente é utilizado para dar um salto que não poderia ser alcançado de outro modo: iniciar a fabricação de um produto, lançar um trabalho criativo...

Além disso, até agora, o mais comum é lançar um crowdfunding quando é possível obter um resultado que pode ser oferecido aos patrocinadores – o que, em muitos casos, nos leva necessariamente às últimas etapas do processo empresarial.

 

Para que tipos de projetos?

O crowdfunding nasceu muito ligado a projetos artísticos ou criativos. De fato, considera-se que a primeira campanha como tal foi a realizada pelo grupo de rock Marillion, em 1997, para financiar uma turnê. Com base nessa ideia, as primeiras iniciativas para criar plataformas de crowdfunding também estavam orientadas para o âmbito artístico e cultural.

Na verdade, algo desse espírito original é mantido em plataformas como o já mencionado Kickstarter, onde podemos encontrar projetos de arte, quadrinhos, dança, design, moda, cinema e vídeo, música, fotografia, publicações, teatro e também de áreas paralelas, como tecnologia e jornalismo.

No entanto, hoje se espalhou para muitos setores empresariais provocando o nascimento de diversas plataformas especializadas em determinadas áreas econômicas ou em alguns tipos de negócios.

Algumas, como a Filmarket Hub, são projetadas para projetos audiovisuais; também existem aquelas que querem promover projetos científicos, como a I Love Science; projetos com caráter social também têm um êxito notável através de plataformas como a Social Impulse... Mesmo em áreas onde não pensamos muito no crowdfunding estão sendo desenvolvidas ideias bem-sucedidas, como é o caso da Housers, que funciona no setor imobiliário.

O crowdfunding também pode ser interessante para as PME, que são objeto de várias plataformas que oferecem financiamento em troca de ações é o caso da Crowdcube , ou simplesmente sob a forma de empréstimos como o crowdlending da Comunitae , ou mesmo na forma de adiantamentos sobre faturas ou notas promissórias, tal e como trabalha a Finanzarel.

 

Existe algum perigo?

Claro, nem tudo são flores no crowdfunding e há problemas que o empresário ou o criador especialmente o primeiro deve colocar na balança antes de tentar financiar seu projeto por esse método.

De acordo com os especialistas, um desses perigos é a grande quantidade de informações que são compartilhadas sobre seu produto ou ideia, geralmente em um estágio em que ainda falta para chegar ao mercado e, portanto, expondo o mesmo a ser roubado.

Outro problema é que muitas informações compartilhadas se tratam do estado das contas da empresa e, especialmente, se uma grande rodada de financiamento é concluída com êxito, isso também pode representar o risco de estar na mira de cibercriminosos.

Além disso, é preciso ter em mente que, como em qualquer outra atividade em expansão, o crowdfunding pode causar ser enganoso, com portais ou empresas fantasmas, ou mesmo projetos que falham deixando sua ideia à deriva. Tal como acontece com tudo relacionado às empresas, a escolha dos parceiros certos para iniciar um crowdfunding será essencial.