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Crowdfunding: em que consiste o financiamento coletivo?

Crowdfunding: em que consiste o financiamento coletivo?

Na última década, uma série de pessoas anônimas conseguiu realizar seus sonhos graças ao “crowdfunding”, também conhecido como financiamento coletivo. Ideias de todos os tipos desde o mundo da cultura, passando pela solidariedade, entretenimento, política e chegando ao mundo dos negócios foram possíveis graças à convergência entre empreendedores e comunidade.
É aí que reside a grandeza do crowdfunding: ter uma ideia, lançá-la em uma plataforma de financiamento coletivo e convencer o público de que seu projeto tem um valor agregado de interesse e, como consequência, obter um investimento econômico.


Vale a pena destacar os últimos dados disponíveis sobre crowdfunding que confirmam o sucesso desse tipo de financiamento. De acordo com o estudo Financiamento participativo na Espanha, relatório anual de 2016, realizado pela consultoria Universo Crowdfunding em colaboração com a Universidade Complutense de Madrid, o crowdfunding arrecadou 113 milhões de euros em 2016 na Espanha 116% a mais que em 2015.

Apesar dos dados positivos, para
Ángel Gonzalez, assessor da Comissão Europeia na área de Crowdfunding, estamos apenas no início: “A CE quer continuar promovendo o crowdfunding, porque embora o crescimento seja estável, na Espanha estamos a três ou quatro anos de distância do Reino Unido. Ainda há muito o que fazer”.

 

Métodos de financiamento coletivo

Ao longo de 2016 na Espanha, 48 plataformas distintas conseguiram financiar algum projeto através do crowdfunding. O crescimento gerou uma diversificação nas diferentes plataformas de financiamento coletivo, direcionando-as para a especialização. 

54% do investimento total em crowdfunding ocorre através de “crowdlending”; 17% destina-se ao “crowdfunding imobiliário”, 14% ao “crowdfunding de capital”, 11% ao “crowdfunding de recompensas” e, finalmente, 4% ao “crowdfunding de doações”. Estas são as diferenças:

  • O ‘crowdlending’ consiste no crowdfunding baseado em plataformas de empréstimo. Trata-se de financiamentos em massa para uma empresa, através de empréstimos ou créditos, em troca de uma taxa de juros. Este tipo de financiamento colaborativo é o que possui o maior volume de capital gerido na Espanha, com mais de 100 milhões de eurosAlgumas plataformas se destacam, como a LoanBook Capital, que, desde sua criação, já concedeu mais de 46 milhões de euros em créditos; a Circulantis, com mais de 37 milhões de euros; e a Grow.ly, com mais de 11 milhões de euros em créditos.
     
  • O crowdfunding’ imobiliário roçou os 20 milhões de euros de investimento em seu primeiro ano de vida. Hoje em dia supera os 50 milhões. Este tipo de crowdfunding consiste no financiamento participativo da compra ou promoção de imóveis, entre diferentes investidores, sem grandes desembolsos de dinheiro. Algumas das principais plataformas são: Housers, onde foram investidos mais de 50 milhões de euros em 453 propriedades, com um lucro de 8 milhões de euros; Inveslar: The Urban Investors, com 3.503 investimentos, totalizando 2 milhões de euros e um retorno de 888 mil euros; e Privalore, que tem mais de 6 milhões de euros em investimento, com um retorno de 18%.
     
  • O crowdfunding’ de capital é aquele em que se investe em massa em uma empresa em troca de ações ou participações. É a modalidade de financiamento coletivo que mais cresce. Uma das plataformas que facilita esta interação entre empreendedores e investidores é a Sociosinversores, com mais de 100 empresas de diferentes áreas financiadas.Destaque também para a Crowdcube, com 490.332 investidores distribuídos em 630 empresas. Por sua vez, a Capital Cell, especializada em biomedicina, promoveu investimentos no valor de 12 milhões de euros em 23 campanhas.
     
  • Ocrowdfunding’ de recompensas, popularmente conhecido como “mecenato”, é o caminho preferido pela comunidade criativa. Nesta modalidade, aqueles que fazem contribuições econômicas para o lançamento de um projeto esperam, em contrapartida, uma recompensa por sua contribuição. Em 2016, foram investidos mais de 12 milhões de euros. Algumas das principais plataformas são: Verkami, a maior da Europa, com a maior taxa de sucesso do mundo, onde foi financiado Stockholm, o primeiro filme crowfundeado a ser premiado com um Goya; Kickstarter, com mais de 14 milhões de patrocinadores de 143 mil projetos, como o smartwatch Pebble, que conseguiu arrecadar 10 milhões de euros 10,266% a mais que o esperado; ou Lanzanos, com mais de 7 milhões de euros arrecadados distribuídos em 2,5 mil projetos.
     
  • Ocrowdfunding’ de doações é aquele em que a comunidade pode fazer contribuições monetárias sem esperar nenhum benefício da transação. Em 2016, as contribuições atingiram mais de 4 milhões de euros. Na Teaming, foram investidos 2,4 milhões de euros, na Migranodearena, 1,6 milhão de euros e, na Crowdants, mais de 170 mil euros.

5 casos de sucesso

Já citamos projetos bem-sucedidos de ‘crowdfunding’, como Stockholm e Pebble. Abaixo, mostramos outros cinco exemplos que demonstram a viabilidade do financiamento coletivo.

  1. Kingdom Death Monster: Os jogos de tabuleiro estão mais vivos do que nunca. Em 2017, este jogo de terror convertido em uma obra de culto conseguiu ultrapassar 12 milhões de dólares através do Kickstarter. Tal foi o sucesso que, duas horas após o lançamento, já havia superado os 100 mil euros que haviam fixado como meta.
     
  2. Tempo Rubato, de Mayte Martín: O mundo discográfico também notou os efeitos do crowdfunding de recompensas. Em 2017, via Verkami, a cantora espanhola Mayte Martín conseguiu mais de 36 mil euros para editar um álbum de flamenco em que trabalhou durante 22 anos. O crowdfunding dá aos artistas uma liberdade de autopublicação.
     
  3. Fundación Santuario Gaia: A Teaming permite que você faça doações para projetos, de forma filantrópica e ao longo do tempo. Por exemplo, a Fundación Santuario Gaia, um centro vegano de resgate e recuperação de animais de fazenda, localizado em Camprodon (Espanha), recebeu 117.907 euros de 5.215 teamers desde 2013 até hoje.
     
  4. Hemav: O crowdfunding de capital é uma das formas de financiamento coletivo que nota maior expansão. As pessoas podem investir em troca de ações. A Hemav obteve 450 mil investimentos de 73 investidores, com os quais pôde oferecer soluções em aplicações civis a partir do uso de veículos aéreos não tripulados, como drones.
     
  5. Goya: No site da Housers, é possível encontrar diferentes histórias de sucesso do crowdfunding imobiliário. Por exemplo, Goya: um investimento com compra, reforma completa e venda de uma casa no exclusivo bairro de Salamanca, em Madrid (Espanha). A rentabilidade líquida acumulada foi de 9,94%.
     

Vantagens e desvantagens

Apesar de ter aberto novas janelas, o financiamento coletivo ainda está em fase embrionária. As oportunidades são enormes, porém, não estão isentas de risco. Este é um resumo dos prós e contras desta fórmula:
 

Vantagens

- Diversificar os canais de financiamento.

- Angariar novos clientes.

 - Capacitar os usuários.

- Rapidez para receber dinheiro.

- Dinheiro mais barato.

- Economia de tempo e recursos
 

Desvantagens

- Possíveis fraudes relacionadas com:

  • Os atrasos no cumprimento das obrigações estabelecidas pelos empreendedores e financiadores.
     
  • “Setting valuation” (o quanto é oferecido pela quantidade de capital que se pretende arrecadar), a comunicação entre empreendedores e financiadores, após o investimento.
     
  • A falta de conhecimento sobre os códigos de boas práticas.
     
  • Maior ênfase por parte de todos os participantes na mitigação de riscos e possíveis conflitos de interesse dos investidores que utilizam informações privadas do projeto em benefício próprio.
     
  • A capacidade limitada da plataforma para mediar conflitos entre empreendedores e financiadores e outros problemas de comunicação pós-arrecadação entre as partes interessadas.

- Legislação menos restritiva que incentive o desenvolvimento deste setor, com importantes repercussões no crescimento econômico e na criação de emprego.

- Maior acompanhamento dos projetos financiados para comprovar sua sustentabilidade.

 - A sustentabilidade incerta das próprias plataformas exige um esforço maior por parte de todos os atores envolvidos para incentivar o desenvolvimento desta forma de financiamento.