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Consciência e arte digital: tecnologia para a sustentabilidade

Consciência e arte digital: tecnologia para a sustentabilidade

A artista Naziha Mestaoui luta pelo meio ambiente, a partir da cultura e da tecnologia, com projetos digitais que buscam impactar positivamente a população.


 

“O futuro somos nós que criamos.” A artista e arquiteta belga Naziha Mestaoui não duvida disso, e com suas obras tenta chamar a atenção das pessoas para o nosso entorno. Uma de suas preocupações é o desmatamento: desde 1990, perdemos aproximadamente 129 milhões de hectares de bosques (superfície quase equivalente à da África do Sul), segundo o estudo Avaliação dos recursos florestais mundiais 2015 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, em sua sigla em inglês). Tentando gerar conscientização e ajudar a reverter essa situação, a artista decidiu mergulhar de cabeça na questão.

One Heart, One Tree (Um Coração, Uma Árvore) foi o projeto que a artista mostrou ao mundo na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2015 (COP21) em Paris (França). Tal iniciativa, seguida por mais de 1,3 milhões de pessoas, permitia que qualquer pessoa pudesse plantar uma árvore virtual através de um app instalado em seu smartphone. O aplicativo gravava as batidas do coração do usuário e depois as projetava sobre a Torre Eiffel, junto a uma mensagem escrita pela pessoa, como se uma árvore crescesse em uníssono com as pulsações.

O projeto não se limitava a uma representação digital, também procurava um impacto real na luta contra o desmatamento: para cada semente virtual, seria plantada uma árvore em alguma das iniciativas de reflorestamento existentes nos cinco continentes que a artista apoia graças a doações dos participantes. Hoje em dia, o número de árvores a serem plantadas é 53.428, e o programa conta com o apoio de embaixadores como a atriz Marion Cotillard, que ganhou um Oscar, e Benki Piyako, chefe indígena de uma tribo amazônica.

“Eu queria criar uma obra que combinasse arte, tecnologia e humanismo para mostrar que não só estamos totalmente conectados com a natureza, mas somos parte dela”, afirma Naziha Mestaoui, que acredita ser possível nos reconciliarmos e voltarmos a estar em sintonia com a natureza graças à arte digital. Tais ideias têm como alicerce suas viagens entre povos indígenas do Amazonas, Índia e Omã.

A artista, pioneira no campo da arte digital, é reconhecida como uma das criadoras do videomapping em 3D em tempo real, técnica patenteada, que mistura experiências físicas e tangíveis a um mundo imaterial. Além de transformar o mais famoso monumento parisiense em um bosque virtual, ela usou a mesma técnica em outros projetos. E fundou sua própria empresa, a Electronic Shadow, com a qual explorou entornos imersivos e interativos. Expôs também em locais como o MoMa de Nova York (Estados Unidos), o Centre Georges Pompidou de Paris (França) e o Museu de Fotografia de Tóquio (Japão). “Tudo é possível, podemos fazer qualquer coisa com nossas tecnologias e dar-lhes um uso diferente do esperado”, ela afirmou.