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Como a macroeconomia tem impacto no seu bolso?

Como a macroeconomia tem impacto no seu bolso?

Explicamos tudo o que você sempre quis saber sobre economia e, principalmente, como afeta sua vida diária


PIB, inflação, deflação, IPC... Todos os dias ouvimos ou lemos essas palavras nos jornais, mas na maioria das vezes achamos que elas não têm nada a ver conosco ou simplesmente não as entendemos. O que sim tem a ver conosco é não chegar ao final do mês por causa de despesas excessivas ou que subam o aluguel.

Bom, está na hora de sabermos que estas palavras tão estranhas e ao mesmo tempo tão conhecidas são as responsáveis por nossos apertos mensais. Conhecer um pouco mais sobre macroeconomia é fundamental para entendermos como chegamos à situação em que estamos e tomar decisões melhores. Aqui estão os principais conceitos da economia e a explicação de como eles nos influenciam.
 

Saber mais sobre os principais termos econômicos nos permite compreender o contexto e tomar decisões mais vantajosas segundo nossa condição

Desemprego: É a situação do grupo de pessoas em idade ativa que atualmente não têm emprego. Na Espanha, por exemplo, o desemprego é de 17,1% (as comparações são péssimas e sempre há mais fatores que devem ser levados em conta, mas nos Estados Unidos esse índice é de 4,4%, na Itália de 11,2% e no Reino Unido de 4,2%).

Como isso nos afeta? O desemprego nos afeta, por exemplo, quando queremos entrar no mundo do trabalho e não recebemos algo de acordo com nosso nível de formação. Caso esta taxa se torne crônica (o denominado desemprego estrutural), isso significaria limitar o crescimento potencial da economia, pressionar os salários e sua desigualdade com o nível de preços, o que pode levar a uma perda de competitividade e, acima de tudo, à exclusão laboral e social de muitas pessoas.
 

A macroeconomia afeta nossas decisões diárias e estas, por sua vez, determinam a situação econômica a longo prazo

Inflação: Refere-se ao aumento generalizado dos preços dos bens, serviços e fatores produtivos dentro de uma economia. Na Espanha, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) de janeiro (3%) aumentou mais de um ponto percentual em relação a dezembro, uns níveis inéditos desde outubro de 2012, quando a subida foi de 3,5%. Os motivos? O aumento dos preços da eletricidade e dos combustíveis.

Como isso nos afeta? Todos nós sofremos diariamente com a inflação. Os preços dos bens de consumo aumentam mais rápido do que os salários (que são ajustados uma ou duas vezes por ano). Se o aumento dos preços não for compensado pelo aumento dos salários, teremos mais dificuldades para chegar ao final do mês.

Mas se os salários subirem muito, pode-se entrar em um círculo vicioso, uma vez que os empregadores, para compensar esse aumento, venderiam seus produtos mais caros (os que vão subir mais serão aqueles de maior consumo), de tal modo que a inflação continuaria existindo.

Como a macroeconomia tem impacto no seu bolso?

Os preços dos bens de consumo aumentam mais rápido do que os salários que se ajustam 1 ou 2 vezes por ano

Tipo de câmbio: É o preço de uma moeda medida em unidades de outra. Esta taxa flutua de acordo com o diferencial entre taxas de juros e taxas de inflação entre os dois países.

Como isso nos afeta? Quando nossa moeda desvaloriza, os preços dos bens que importamos do exterior se tornam mais caros – é mais caro comprar, por exemplo, aquela camisa tão bacana que está sendo vendida em um site dos Estados Unidos. O positivo é que a desvalorização da moeda ajuda as empresas exportadoras a ganharem competitividade em relação ao mercado internacional, já que vendem seus produtos mais baratos no exterior.

Taxas de juros: É o preço do dinheiro ou quantia paga pela pessoa que solicita dispor, de maneira temporária, de uma quantia sob a forma de crédito, empréstimo ou obrigação financeira. As instituições de crédito aplicam juros passivos (que pagam para pegar dinheiro) e ativos (que cobram quando emprestam).

Como isso nos afeta? Nos últimos anos nos acostumamos a viver com taxas de juros inusitadamente baixas, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. A situação pode mudar se a Reserva Federal (Fed), encarregada de regular o preço do dinheiro nos EUA mover as peças.

Os bancos centrais de cada país – o Banco Central Europeu no caso dos estados da União Europeia – são os responsáveis por estabelecer essas taxas de acordo com a situação econômica (o consumo, principalmente) e com os tipos de juros. Um aumento das taxas freia as pressões inflacionistas e, a custos mais altos para obtermos um financiamento, gastamos menos e incorremos em menos dívidas.
 

Um aumento nas taxas geralmente resulta em um incremento na cotação da moeda, o que afeta a capacidade de exportação porque nossos produtos serão mais caros

PIB: O Produto Interno Bruto é o valor de todos os bens e serviços produzidos na economia de um país ao longo de um período de tempo, normalmente durante um trimestre ou um ano. Esse valor permite verificar como a economia está se comportando – se cresce ou se retrocede.

Como isso nos afeta? Como explica Leopoldo Abadía em Economía para Dummies, um PIB elevado não só significa que uma grande massa de pessoas pode ter um carro e trocá-lo como se trocassem de roupa, mas também em uma assistência médica ou uma educação pública de mais qualidade.

De “eu” ao “nós”

Que a macroeconomia afeta nossa vida e bolso já está muito claro para todos. No entanto, nossa vida cotidiana também afeta a macroeconomia. Como investidores, a macroeconomia nos ajudará a decidir. A incerteza macroeconômica, bem como a estabilidade, afeta o mercado de ações e aumenta ou diminui os riscos de nossos investimentos. Investiremos com base na nossa propensão ou aversão ao risco.

Ao fazer a lista de compras e analisar nosso orçamento, também estamos interessados em saber se a situação econômica irá melhorar ou piorar nos próximos meses. Não vamos consumir o mesmo se acharmos que uma crise pode nos afetar individualmente em vez de acreditarmos que podemos nos beneficiar de um momento de prosperidade.

Em suma, passando do euao nósao tomar decisões econômicas, melhoramos não só nossa parte financeira, mas a economia como um todo. E isso também vai nos beneficiar no final.

Por Romina Vallés