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Como detectar as altas habilidades em crianças superdotadas

Como detectar as altas habilidades em crianças superdotadas

Uma capacidade cognitiva superior à média, um alto nível de criatividade e um grande comprometimento com a tarefa são os três principais elementos que, de acordo com a teoria normalmente aceita, se convergem nas altas habilidades. Sua detecção precoce é uma das chaves para ajudar essas crianças da forma adequada.


Hug tem 10 anos e é superdotado. Seus pais, Marga e Sergi, já sabem disso há alguns anos, embora relutem em usar essa denominação pois “tem conotações negativas”, explicam. “Desde que era pequeno, a gente viu que ele era muito hábil, tanto fisicamente quanto na aprendizagem da linguagem, na matemática etc. Mas também não demos muita importância, porque sua evolução escolar era boa. Quando tinha quatro anos, o professor dele nos contou que seu vocabulário era muito superior ao que seria normal para sua idade”, recorda a mãe.

Esse foi o primeiro indício. Mais tarde, com seis e sete anos, apareceram os primeiros conflitos na escola: Hug estava disperso nas aulas, fazia bagunça e acabava arrastando outros coleguinhas com ele. “Ele fazia isso, basicamente, porque estava entediado. Foi quando uns pais com um filho na mesma situação sugeriram que talvez fosse um caso de altas habilidades. No começo você não quer assumir, mas finalmente fomos a um centro de psicologia onde a identificação foi feita” (Marga se recusa a falar de diagnóstico, pois como ela enfatiza não se trata de uma doença).

O passo seguinte foi falar com o corpo docente do colégio para informá-los da detecção e falar sobre as diretrizes a seguir. “Felizmente eles foram muito receptivos e aceitaram um plano individualizado nas áreas em que o Hug mais se destacava.” Além disso, Marga e Sergi tiveram a sorte de o projeto educacional da escola usar ferramentas como o trabalho cooperativo ou por projetos, que beneficiavam a aprendizagem do garoto.
 

REFORÇO DA AUTOESTIMA

Embora Hug não tenha encontrado muitos problemas sociais (em algum momento pontual outras crianças o afastaram do jogo com o argumento de que ele é “muito inteligente”), Marga admite que é sempre doloroso ver como uma criança não se encaixa 100%. Os pais compensam “tentando fazer com que seu filho se sinta bem em casa, acompanhando-o para que ele tenha uma boa autoestima e um senso de si mesmo, e seja forte, para que os ataques externos não o afetem”. Neste trabalho psicológico, Marga agradece o apoio da associação Fanjac (Espanha), onde se reúnem com outras famílias que têm crianças com altas habilidades. É um espaço para trocar opiniões e receber informações através de workshops, tanto para os pais quanto para as crianças.

“Geralmente são crianças muito perfeccionistas, com hipersensibilidade, emocionalmente muito empáticas, o que faz com que elas vivam qualquer coisa boa ou ruim de forma exagerada, através de episódios de profunda tristeza, alegria ou raiva.” Neste sentido, através da Fanjac, o apoio emocional e os recursos são oferecidos para administrar a frustração.

 

Cómo detectar altas capacidades en niños superdotados

"Elas têm um alto envolvimento na aprendizagem, muita criatividade e pensamento divergente"

CLASSIFICAÇÃO

Conforme explicado por Virginia Trémols, neuropsicóloga do Departamento de Pediatria do Hospital Universitário Dexeus, em Barcelona, diferentes situações estão incluídas nas altas habilidades. “Em primeiro lugar estão as crianças precoces, como, por exemplo, as que aprendem a ler ou escrever sozinhas. Essas aptidões não têm porquê se cristalizar em altas habilidades, pois podem ser crianças muito estimuladas que, quando amadurecem, acabam se igualando ao resto de seus colegas. Uma segunda categoria são as crianças talentosas, que têm muita facilidade em uma área específica (da matemática à música, passando pela linguagem ou esportes) ou em várias delas. Finalmente, há o que chamamos de superdotação, crianças que são boas em tudo que fazem.”

No entanto, acrescenta Trémols, além desse desenvolvimento intelectual acima da média, há outros traços característicos de crianças com altas habilidades, das quais já comentava o psicólogo norte-americano Joseph Renzulli: “Elas têm um alto envolvimento na aprendizagem, muita criatividade e pensamento divergente”, o que ocorre de forma espontânea e permite que gerem ideias criativas, explorando muitas soluções possíveis.

Para Virginia Trémols é significativo “que a criança se faça perguntas relacionando conceitos por si mesma, mostre um espírito observador, aguçado e desperto, seja muito boa em resolver desafios e novos problemas ou adore aprender”.

E cuidado com alimentar os falsos estereótipos: “Não tem porquê ser pessoas com notas 10 em todas as matérias da escola. De fato, muitas crianças talentosas vão mal no colégio, porque estão entediadas, não se sentem estimuladas ou são utilizados sistemas de aprendizagem contrários ao que seria natural para elas. Também é mentira que seja fácil para elas fazerem as coisas, que suas altas habilidades as tornam mais propensas a sofrer algum tipo de desordem psicológica, problemas de personalidade ou desajuste social.”
 

NÃO FRUSTRAR O TALENTO

Algumas crianças com altas habilidades (especialmente quando chegam à adolescência) tendem a mascarar suas capacidades para serem homogeneizadas com o restante do grupo, passarem despercebidas e, dessa forma, não serem ridicularizadas. “Isso ocorre especialmente no caso de crianças talentosas que, diferentemente das superdotadas que têm maior inteligência emocional , podem ter sua autoestima afetada se não se adaptam ao ambiente escolar.”

No entanto, Trémols insiste na importância de não frear as altas habilidades. “São como uma planta que precisa ser regada. Vale a pena detectar esses casos e oferecer a ajuda necessária para que seu desenvolvimento não seja interrompido.” É algo “preventivo”, diz a especialista, uma vez que “possivelmente serão os bons engenheiros ou médicos de amanhã. Portanto, freá-las também tem suas implicações sociais”.

Para não frustrar o talento dessas pessoas, a neuropsicóloga acredita que o sistema educacional deve ser flexível, oferecendo trajetórias formativas “sob demanda”, em que, por exemplo, uma criança pode avançar de ano nas matérias onde se destaca mais.

Ao mesmo tempo, ela aponta a importância de um diagnóstico o mais cedo possível, para que o núcleo familiar possa ir “enriquecendo esses cérebros mais além do que a escola faz, com atividades extracurriculares, oficinas, visitas a museus ou outras atividades”.

Para finalizar, Trémols acredita que os tempos atuais são bons para as crianças com altas habilidades, já que o acesso que elas têm às fontes de informação e comunicação (principalmente internet) permite que se aprofundem em áreas de interesse pessoal, permitindo que a planta continue crescendo.

Dicas para reconhecer crianças com altas habilidades

- Demonstram uma capacidade muito precoce em aprender certas habilidades, como no caso dos números ou uso da linguagem.
- Gostam da companhia de crianças mais velhas.
- Às vezes são abstraídas em seus pensamentos.
- Normalmente mostram entusiasmo pelo trabalho e confiança em suas próprias habilidades.
- São muito sensíveis.
- Aprendem rápido, seu pensamento é fluido e têm boa memória.
- São muito exigentes consigo mesmas e com os outros, são perseverantes, observadoras e podem realizar várias tarefas ao mesmo tempo.
- São mentalmente hiperativas e têm interesses muito diversos.
- Tendem a ter baixa tolerância à frustração.
- Tendem a questionar as regras e a autoridade.
- São imaginativas, fazem muitas perguntas e têm um senso de humor especial.

Como os pais devem agir?

- Informar-se em profundidade sobre o significado das altas habilidades, quebrando tópicos e estereótipos.
- Viver como um privilégio, não como um problema (não é uma doença) e aprender a tratar a criança como ela é, não como gostaríamos que fosse.
- Visitar um centro especializado no diagnóstico de altas habilidades.
- Conversar com a equipe do centro educacional da criança para encontrar soluções ou resultados que fomentem as capacidades da mesma e não prejudiquem sua evolução.
- Contar com a ajuda e aconselhamento de associações de pais e filhos com altas habilidades.
- Ajudar as crianças a verbalizar o que sentem sem fazer julgamentos sobre a adequação ou intensidade; apoiá-las a viver sua diferença como algo positivo com vantagens e também com dificuldades; não cair na superproteção empurrados pela sua hipersensibilidade e enorme frustração, mas também não as deixar naufragar sem ferramentas em um mundo onde elas acham difícil se encaixar.
- Afastar-se do paradigma prêmio-castigo para defender um modelo de paternidade e educação baseado nas emoções, respeito, comunicação, confiança e amor incondicional.

Por Alberto González