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Baterías de energía renovable para evitar cortes de luz

Baterias de energia renovável para evitar cortes de luz

A inovadora Enass Abo-Hamed desenvolveu um sistema de armazenamento energético que se transporta facilmente e que leva luz a lugares onde o acesso à rede elétrica é limitado. 


 

Durante uma operação, acaba a luz de um hospital e todos os aparelhos param de funcionar. Como os médicos poderiam seguir em frente com a cirurgia? Infelizmente, esse tipo de coisa acontece com maior frequência do que imaginamos, especialmente nas áreas em que mal existe fornecimento de energia elétrica. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), 1,2 bilhões de pessoas no mundo carecem de acesso à eletricidade.

Para garantir esse serviço básico, sobretudo em infraestruturas críticas como centros de saúde, a inovadora Enass Abo-Hamed desenvolveu um sistema de armazenamento que aproveita o potencial das energias renováveis e que podemos transportar facilmente. Com este modelo, Abo-Hamed poderia oferecer luz ao hospital, mesmo sem estar conectado à rede elétrica.

O sistema, denominado unidade OG3P (Off Grid Plug & Play Power), gera eletricidade através da captura e liberação de hidrogênio procedente de energias renováveis. Doutora em Química pela Universidade de Cambridge (Reino Unido) e Impulsora Global do Fórum Econômico Mundial, Abo-Hamed lançou este modelo através da sua empresa H2GO Power. O dispositivo atua como uma bateria, tem o tamanho de um container de transporte de carga e está dividido em três partes.

No primeiro compartimento, eletrolisadores utilizam a energia procedente de painéis solares para romper as moléculas de água em átomos de oxigênio e hidrogênio; no segundo, absorve-se o hidrogênio, que é retido em uma estrutura similar a uma esponja; e, no terceiro, uma pilha combustível transforma o hidrogênio em eletricidade.

Uma das principais particularidades deste dispositivo é que está composto por nanomateriais inteligentes que acumulam o hidrogênio à temperatura ambiente e o regulam segundo as mudanças térmicas. À temperatura ambiente, o mantemos na esponja. Depois, para liberar o hidrogênio, devemos esquentar o entorno. Desta maneira, a esponja colapsa e o empurra para fora. A passagem do estado de armazenamento à liberação pode ser feita repetidas vezes, como se fosse um interruptor.

Deste modo, a energia armazenada pode ser utilizada sob demanda. Abo-Hamed, que foi escolhida como Inovadora menor de 35 anos Europa 2017 pela MIT Technology Review em espanhol, calcula que essas baterias poderiam chegar a contar com uma potência de 200 k, suficiente para oferecer abastecimento a um hospital durante um corte temporário de energia. Por enquanto, ela está realizando um teste piloto no Reino Unido. Também assinou um acordo de colaboração com a empresa SMAP Energy, especializada no acompanhamento de dados de consumo energético em edifícios, e trabalha com o hospital ESUT em Enegu (Nigéria).

Segundo sua criadora, a OG3P causaria um impacto em três esferas: meio ambiental, econômico e social. Por outro lado, é mais eficiente que outras opções que abastecem infraestruturas fora da rede, como as baterias tradicionais e os geradores diesel. As baterias têm uma capacidade de armazenamento limitada e o diesel é mais caro e contaminante. Embora, talvez, o mais relevante seja fazer com que um bem crucial para melhorar a qualidade de vida das pessoas, como a energia, chegue a todo mundo, para que ninguém fique no escuro.