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A arte é bem paga? O negócio da cultura no mundo

A arte é bem paga? O negócio da cultura no mundo

As indústrias culturais e criativas geram milhões de dólares em receita e representam milhões de empregos no mundo. Elas são a locomotiva da economia digital, aumentam a atratividade das cidades e melhoram a qualidade de vida dos países, segundo a Unesco. Em um contexto de transformação do consumo de cultura, os artistas são forçados a se reinventar e desenvolver seu potencial on-line.


Desde a pré-história, a arte acompanha o ser humano, seja como uma forma de expressar suas emoções ou de compreender a si mesmos e seu ambiente. Mas por que ela é necessária em nossas vidas?

  • Trata-se de uma linguagem universal, que nos mostra a história e nos permite viajar para outros países e descobrir outros mundos, entrar em outras peles.
     
  • A arte pode ser política e provocar uma reflexão crítica.
     
  • Pode servir como um instrumento para a aprendizagem escolar.
     
  • Mesmo quando não serve a uma utilidade prática, nos inspira e dá prazer.

Não apenas por essa valorização cultural um mundo sem arte à semelhança da distopia fabulada pelo escritor Aldous Huxley em “A Happy World” é algo inimaginável fora das páginas da literatura. Desde o ponto de vista de econômico:

  • As receitas das indústrias culturais e criativas (2,25 bilhões de dólares por ano) superam as do setor de telecomunicações e representam 3% do PIB mundial.
     
  • Geram 29,5 milhões de empregos no mundo, mais do que a indústria automotiva de Europa, Japão e Estados Unidos juntos. Isso significa que 1% da população ativa do mundo tem um emprego relacionado com a cultura. Principalmente em ocupações associadas às artes visuais, à música e aos livros.
     
  • São a locomotiva da economia digital. Somente em 2013, as indústrias culturais contribuíram com 200 bilhões de dólares no total das vendas digitais. Além disso, o conteúdo criativo reforça as vendas de dispositivos digitais.
     
  • A produção cultural é jovem, inclusiva e empreendedora. Na Europa, ela dá emprego a mais trabalhadores entre 15 e 29 anos do que qualquer outro setor. Muitas vezes, são as pequenas empresas e os indivíduos que impulsionam a criação, o que promove trabalhadores mais ágeis e inovadores.
     
  • Agem como um impulsionador do desenvolvimento das cidades. Um bom exemplo é Bilbau (Espanha) e o que é conhecido mundialmente como o “Efeito Guggenheim”, em referência à revitalização econômica da área como resultado da construção do museu na cidade basca.
     

São dados coletados pela Unesco no relatório Tempos Culturais: primeiro mapa mundial das indústrias culturais e criativas, a primeira avaliação da cultura a partir da perspectiva econômica, que defende seu papel no desenvolvimento das sociedades. “As indústrias culturais e criativas contribuem maciçamente para a economia mundial e constituem um fator-chave para a economia digital. São bens estratégicos para as economias nacionais e regionais.”

O caminho a seguir para alcançar “um mundo mais criativo” passa por promover os direitos autorais (estruturas jurídicas adequadas que protejam os criadores e garantam uma remuneração justa), melhorar a monetização on-line (reequilibrar a atual transferência de valor na economia digital, que beneficia os intermediários) e cultivar os talentos (a comunidade criativa é um motor de inovação para um desenvolvimento mais sustentável).
 

Artistas em transformação

Músicos, artistas, escritores, atores... são a base do negócio da cultura. Cada setor tem suas especificidades e várias categorias profissionais (diversos cachês). Uma radiografia geral da maioria dos criadores mostra que eles precisam se tornar mais e mais administradores de sua própria imagem e trabalho através de redes sociais e vendas on-line, estar abertos para colaborar com outros autores e diversificar sua renda.

Ter um site pessoal, através do qual mostra e vende seu trabalho, um blog e estar ativo nas redes sociais são elementos fundamentais. A internet, como contraponto à sua transformação do consumo de cultura, é uma ferramenta poderosa para se tornar conhecido e atingir um público mais amplo. Por exemplo, por meio do Spotify, YouTube, Amazon... No entanto, a remuneração recebida pela maioria é baixa.

 

Músicos como “cobaias”

Se existe um setor considerado o campo de teste da transformação digital é a música. A venda de música digital está substituindo os formatos físicos. Na Espanha, por exemplo, de acordo com a Promusicae, em 2017, aumentaram as assinaturas de pagamento nas plataformas de streaming, superando mais de um milhão e meio. No entanto, poucos artistas recebem pagamentos significativos através delas.

O Spotify, o Apple iTunes e o Pandora, os três principais serviços de streaming, remuneram os artistas com US$ 0,00397, US$ 0,00783 e US$ 0,00134 por reprodução, respectivamente. A música ao vivo é a principal fonte de receita dos músicos na atualidade. Se antigamente as turnês eram para promover os discos, agora é praticamente ao contrário. A remuneração vai depender do cachê
por acordo, o valor mínimo por atuação de um músico ronda os 115 euros.

 

Escrever na era da Amazon

No que diz respeito ao setor editorial, 87.292 novos títulos foram publicados em 2017 – 7,3% a mais que no ano anterior. 31% eram edições digitais. Embora tenha havido uma desaceleração nos números de faturamento de livros digitais, as editoras espanholas continuam apostando nesse formato”, afirma a Federação de Grêmios de Editores da Espanha.

A autopublicação transformou o mercado, via Amazon, e é uma ótima vitrine para os autores, tornando-se uma espécie de canteira para as editoras. Para o autor, a diferença entre publicar em uma editora e a autopublicação é, sobretudo, a distribuição de percentuais sobre o preço final das vendas, que variam entre 5% e 12% em uma editora.

 

Artistas entre a galeria e a autopromoção

O artista plástico na Espanha conta, basicamente, com a galeria para vender. Outras maneiras de exibir e vender seu trabalho são os sites pessoais, as redes sociais e a participação em concursos e residências em centros de arte. No Livro de Arte e Patrocínio de 2017, Clare McAndrew observa que a maioria das obras vendidas em galerias durante 2016 não ultrapassou os 5.000 euros.

Em
A atividade econômica dos artistas na Espanha. Estudo e análise, por Marta Pérez Ibáñez e Isidro López-Aparicio (Fundación Antonio de Nebrija, 2016), o maior grupo de criadores entrevistados afirmou que o preço médio das obras vendidas nas galerias era entre 100 e 500 euros. “Entre aqueles que podem dizer que a atividade artística é seu principal sustento, vemos como o preço médio das obras vendidas se situa entre 1.000 e 5.000 euros”, destacam os autores.

Por Sara Puerto