O que fazer quando se passam por você, na internet

Todos temos um perfil em alguma rede social, algo aparentemente inocente, mas que nos exige adotar precauções.

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Todos temos um perfil em alguma rede social, algo aparentemente inocente, mas que nos exige adotar precauções, para evitar o roubo da nossa identidade digital. Esse é um delito que vem crescendo nos últimos anos, principalmente, nas plataformas sociais.


Carlos levava tempo recebendo mensagens de amigos, que ele não entendia. Agradeciam sem motivo, parabenizavam, inclusive, davam conselhos sobre como superar a doença. Não tinha dado muita importância, até que um dia recebeu uma carta do banco. Informavam que, infelizmente, não podiam lhe conceder o empréstimo. Foi quando se preocupou. Ele não havia solicitado nada.

Descobriu que existia um perfil, em uma rede social, com seus dados pessoais, fotos, informação sobre a sua vida. Só tinha um problema: ainda que a conta parecesse sua, ele não a havia criado.

Usar, somente, o nome de uma pessoa, sem uma imagem associada, não se considera crime

Usurpar a identidade digital alheia é um delito que vem aumentando consideravelmente, nos últimos anos. Tanto é assim, que todo mês de fevereiro se comemora o Dia Internacional da Internet Segura, cuja razão é ensinar o bom uso da internet. Na Espanha, os órgãos de segurança criaram programas especiais para esse tipo de fraude. O Instituto Nacional de Cibersegurança (INCIBE) trabalha, há dois anos, “conscientizando para prevenir que essas situações ocorram e saber como identifica-las dando apoio técnico para reporta-las”.

Usaram a minha identidade em uma rede social, o que eu posso fazer?

  1. Reúna toda a informação que exista no perfil falso como: captura (print screen) da tela da página, conversas, fotos, likes Quanto mais, melhor.
  2. Informe à rede social, em que foram cometidos os delitos, para que eliminem a conta falsa. Todas as plataformas dispõem de uma página dedicada a estes atos. Convém pesquisar se não houve outros casos registrados, já que isso dá mais credibilidade a uma demanda, quando realizada por vários usuários.
  3. Denuncie às Forças e Corpos de Segurança do Estado (FCSE). Presencialmente ou pela internet, no Grupo de Delitos Telemáticos da Guarda Civil, que admite todo tipo de conteúdo, como URL, blogs, tuits etc.
  4. Informe ao Órgão de Segurança do Internauta (OSI), dependente do Instituto Nacional de Cibersegurança (INCIBE).

Para que uma identidade digital é usurpada?

Segundo o INCIBE, “é possível que usurpem a identidade de uma pessoa, de um banco, um serviço, uma entidade pública, uma determinada empresa”. Ninguém está a salvo.

Quando isso acorre, o fraudador usa a informação pessoal publicada pela vítima, na internet, através de todas as plataformas em que esteja presente, para inventar uma conta falsa no seu nome. A partir daí, qualquer fraude se torna possível no mundo digital.

Este tipo de delito pode ocasionar problemas de credibilidade, afetar a reputação e provocar perdas econômicas

Publicar informação íntima, enviar mensagens inadequadas aos seus amigos ou difundir rumores que prejudiquem sua imagem são formas de extorquir e pedir dinheiro em troca de apagar o perfil falso. No caso do ciber acoso, se publicam anúncios com o nome, telefone e foto da vítima, em páginas de contatos ou de natureza sexual, com o fim de fazê-la receber ligações ou mensagens obscenas.

Buscar relacionamentos, online, também está se tornando perigoso. “Os delinquentes digitais costumam criar perfis falsos e, quando ganham a confiança da vítima, pedem dinheiro com a ameaça de difundir suas fotos e vídeos comprometedores”, alerta INCIBE.

O direito ao esquecimento

Em 2014, a União Europeia estabeleceu, juridicamente, o direito ao esquecimento, cujo objetivo não é outro senão apagar aquela informação publicada que prejudica gravemente uma pessoa ou empresa.

Segundo a Agência Espanhola de Proteção de Datos, toda pessoa ou empresa que tenha tido sua reputação online manchada, através de informação falsa ou caluniosa, pode solicitar o direito ao esquecimento. Para eles, os links a esses dados são apagados de todos os motores de busca.

O primeiro passo é pedir à fonte da informação, se possível, a eliminação da mesma, para que não volte a aparecer nos buscadores. O segundo passo é recorrer à Lei, reservando-se a possibilidade de atuar ante os tribunais.

Outras fraudes comuns na internet

Fazer uso da identidade alheia não prejudica somente à pessoa ou à empresa vítima do delito. Mas, também, àqueles que confiam na veracidade dos perfis falsos. Segundo INCIBE, muitas fraudes acontecem no e-commerce, em que “se enviam produtos diferentes aos, de fato, comprados; se fazem cobranças superiores às acordadas; não se cumprem os prazos ou não se informa um número para contato”.

“Acesse a página, sempre, a partir de um navegador (browser), nunca desde um e-mail” (INCIBE)

INCIBE destaca, especialmente, “os falsos empréstimos com taxas baixas, que costumam ser anunciados em perfis de redes sociais, para conseguir alcançar um grande número de pessoas. Além de fazer a oferta, realizam os trâmites, através de contas de e-mail gratuitas, nunca sob o nome de uma empresa reconhecida. Solicitam uma quantia adiantada alegando gastos de gestão e pedem para realizar o pagamento, via Western Union ou MoneyGram”. Para esses casos, o Centro de Segurança Indústria (CERTSI) facilita a denúncia das estafas e o fechamento das páginas.

Não se pode negar que a Internet é a uma das ferramentas mais poderosas que a tecnologia nos ofereceu. Porém, convém adotarmos uma atitude prudente quando navegamos pela rede. Por isso, foram criadas plataformas que ajudam a descobrir casos de identidade roubada, como Tineye, que informa sobre as páginas e as redes em que esteja publicada qualquer imagem. Essas iniciativas, junto com o apoio governamental e a consciência do usuário, são o caminho para pôr fim a estes delitos no mundo digital.

 

 

 

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