Realidade virtual: determinante para projetar suas futuras férias


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Fazer um passeio de bicicleta, ver um show ou desfrutar das vistas da cidade do balcão de um hotel. Graças à realidade virtual, os turistas podem viver experiências como estas e conhecer um destino quase como se estivessem nele, e sem necessidade de se deslocar.


Coloque os óculos que vamos ao Japão”. Se antes utilizávamos guias de papel e depois chegou a internet para organizar nossas férias, agora a realidade virtual (RV) está se transformando em mais um elemento para planejar as viagens. Graças a ela, os usuários podem viver experiências tão variadas como ser testemunha de uma luta de sumô, entrar em um restaurante giratório ou passear no santuário Fushimi Inari Taisha.

Estes são apenas alguns dos 16 lugares que o Escritório Nacional de Turismo do Japão (JNTO) incluiu em seu vídeo de realidade virtual 360 graus, como parte da campanha JAPAN – Where tradition meets the future. Ele foi apresentado em janeiro de 2018 e se transformou em uma referência sobre como esta tecnologia é capaz de transportar os turistas a qualquer destino para que os conheçam melhor.

A realidade virtual cria entornos digitais novos, que podem ser fictícios ou simular espaços da vida real. Os dispositivos para entrar nestes mundos são variados: óculos, fones e suportes para celulares que permitem ao usuário conhecer estes cenários virtuais. Segundo uma estatística elaborada pelo Statista, o número de pessoas que utilizam esta tecnologia está em crescimento desde 2015. Há três anos, a realidade virtual contava com 6,7 milhões de usuários ativos. Hoje, a cifra alcança 171 milhões.

Esta tecnologia já é realidade em setores como o dos vídeo games, da educação ou o setor industrial. Desta maneira, introduziu novas possibilidades na nossa forma de estudar, trabalhar e nos divertir. Hoje, também pode transformar a maneira como viajamos. Segundo Sergio Usón, diretor de tecnologia e novos negócios da Idealmedia e um dos fundadores da Sociedade Espanhola de Agências de Viagens com Realidade Virtual, no turismo ela é utilizada em três áreas: como ferramenta de vendas nas agências, para formar agentes de viagens que não conhecem os destinos e como elemento de comunicação para realizar campanhas inovadoras.

O fundador e CEO da Two Reality, Giovanni Cetto, explica que esta tendência começou há três ou quatro anos, embora o boom da realidade virtual no turismo tenha surgido em 2018 e crescerá em 2019: “Até agora, eram poucas as gravações dos destinos e o hardware era muito caro. Graças à evolução da tecnologia, a RV se tornou mais acessível.”

Mergulho na Austrália, passeios na Suíça

Os típicos vídeos e imagens para promover um país, cidade ou região estão ficando no passado. “A realidade virtual é um método de maior qualidade artística”, diz Sergio Usón. “Funciona como um contato. Para os clientes, é muito útil na fase da inspiração: podemos adentrar em um destino e saber o que nos espera”, acrescenta Sandra Babey, diretora do Escritório de Turismo da Suíça na Espanha.

Aliás, esse era um dos objetivos da campanha japonesa. Seu vídeo, de apenas três minutos, apresenta-se como um aperitivo sobre o que encontrarão os que partirem ao Japão. Embora este país seja um dos mais destacados no âmbito tecnológico, não é o único lugar que recorreu às tecnologias imersivas para seduzir seus futuros visitantes.

Existem possibilidades para todos os gostos. Quem aprecia o descanso, por exemplo, pode comprovar a realidade de um hotel sem a necessidade de fazer uma reserva, como oferece a  rede de hotéis Shangri-La, sediada em Hong Kong. Também existem possibilidades para os amantes da música.

O Hotel Hard Rock de Tenerife (Espanha) permite a seus futuros hóspedes viver a adrenalina de seus shows de maneira virtual. Por sua vez, os mais aventureiros podem descer às profundezas do mar graças a trabalhos como o do Escritório de Turismo da Austrália, que criou um vídeo para levar o usuário à barreira de corais de Queensland.

Para Sandra Babey, um dos principais objetivos destas experiências é que o usuário não veja um destino, mas o sinta. Este foi o objetivo do Escritório de Turismo da Suíça na Espanha desde o seu primeiro projeto de realidade virtual.

Como acontece em várias regiões do norte da Europa, a bicicleta é um dos meios ideais para percorrer o país. Para trazer essa experiência ao usuário, eles criaram um vídeo em RV de um trajeto em bicicleta pela Suíça. A gravação se reproduzia enquanto o usuário pedalava em uma bicicleta fixa no chão.

À medida que as pessoas aumentavam a velocidade, sentiam uma pequena rajada de vento e o vídeo acelerava. “Quando as pessoas fazem um esforço físico, acabam mais envolvidas na experiência”, explica Sandra Babey.

E a maior parte dos vídeos de realidade virtual que promovem um destino contam com um apresentador. Como se fosse o melhor amigo do usuário, ele explica as particularidades do que se vê. O Escritório de Turismo da Suíça, por exemplo, criou a fugira da Heidi, mesmo nome de uma personagem de desenho animado, para narrar os segredos do país, o estúdio VR Gorilla nos convida a conhecer Londres (Reino Unido) com o Peter e a empresa tecnológica Visyon recorreu à Jasmine para visitarmos Barcelona (Espanha).

Nas agências de viagem e em casa

Embora o mais comum até hoje tenha sido desfrutar destas experiências em feiras ou eventos de turismo, é esperado que as agências de viagem abracem cada vez mais a tendência. “A realidade virtual é uma espécie de ilusão, não é algo tangível. É difícil convencer as agências de que os usuários respondem de maneira positiva a isto”, destaca Sergio Usón.

Ainda assim, existem estabelecimentos que aproximam a realidade virtual do turista. É o caso da agência virtual Logitravel, que inaugurou sua primeira loja física em Madri (Espanha). Entre seus serviços, ela inclui tecnologias como a realidade virtual ou pacotes sensoriais que transmitem as sensações típicas de cada região.

A realidade virtual chega às agências e também aos lares. Os usuários já podem “viajar” sem a necessidade de sair de casa. As já conhecidas visitas virtuais com fotografias 360⁰, que se reproduzem no aplicativo Google Earth, se somam aos vídeos em RV disponíveis no YouTube e Facebook. Basta configurar o celular para visualizar os conteúdos em realidade virtual, com fones e óculos de papelão (o Google Carboard oferece saídas para que cada um monte seus óculos).

O fundador e CEO da Two Reality, Giovanni Cetto, vai além e aponta que existem produtos cada vez mais acessíveis ao usuário final, e que por isso será mais comum que as pessoas disponham de óculos profissionais em suas casas. “Os óculos da Oculus Go (que custam cerca de 200 euros), por exemplo, têm sua própria interface, e por isso não é necessário insertar um celular. Entre as várias experiências que oferece, estão incluídas visitas culturais”, comenta Giovanni.

Porém, embora a realidade virtual seja capaz de nos levar a qualquer lugar, ela nunca poderá superar a magia de viajar. “A RV será um complemento do turismo, não um substituto”, ressalta Giovanni Cetto. Como diz Sergio Usón, é verdade que se teletransportar não é possível, mas é cada vez mais fácil aproximar-se das várias esquinas deste mundo sem visitá-las fisicamente.

Por Alba Casilda

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