Derrubando as barreiras da linguagem graças à IA

Jakob Uszkoreit trabalha no departamento de Inteligência Artificial (IA) do Google definindo os novos serviços de tradução automática.

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Jakob Uszkoreit trabalha no departamento de Inteligência Artificial (IA) do Google definindo os novos serviços de tradução automática.


“Imagine that we can maintain a conversation in two completely different languages at the same time and we don’t even notice / Imagine poermos manter uma conversa como esta em dois idiomas completamente diferentes ao mesmo tempo e nem notarmos”. Uma tradução instantânea como esta, no mesmo momento em que acontece, é o futuro próximo visualizado por Jakob Uszkoreit quando ele fala sobre as possibilidades da Inteligência Artificial aplicada à tradução.

Para Jakob, membro do grupo Brain de Inteligência Artificial do Google, o futuro dos sistemas automáticos de tradução envolve a melhoria das interfaces e das possibilidades do usuário para traduzir o que necessita. Ou seja, para ele, a chave é cada vez podermos traduzir mais línguas a partir de um número maior de aplicativos e tecnologias. No caso de uma conversa ao vivo, por exemplo, Jakob pensa na possibilidade de contar com fones que incluam microfones incorporados e que possam traduzir, em tempo real, as mensagens que recebam. Seria como uma tradução simultânea tradicional, mas neste caso o tradutor é um motor de Inteligência Artificial, não uma pessoa.

O trabalho da sua equipe segue dois caminhos. Um deles é treinar o algoritmo para compreender um número maior de idiomas, daqueles falados por um grande número de pessoas até línguas mais minoritárias, cujo estudo requer uma pesquisa junto às próprias comunidades que as falam para “entender suas falas, escrituras e as formas como transmitem seus idiomas”. Por outro lado, o projeto busca novos serviços e interações mais simples com os usuários.

“A base da interação com o Google já não é tão visual nem são usadas interfaces gráficas tradicionais. A chave atual é a linguagem. Você faz uma pregunta e obtém respostas de maneira bastante natural”, explica Jakob. Na cabeça dele, o futuro será uma realidade na qual a interação com as máquinas, através da linguagem, acontecerá de forma natural: “As fronteiras entre a comunicação analógica e a mediada por um dispositivo serão apagadas, e as máquinas vão participar das conversas traduzindo, oferecendo informações ou respondendo perguntas que surjam, como se fosse mais um interlocutor.”

O interesse pela computação e pela linguagem surgiu ainda na infância, e a trajetória de Jakob até chegar ao Google foi de ida e volta. Ele nasceu no Vale do Silício, em uma família de imigrantes alemães, e ainda criança se mudou para a Alemanha, onde seu pai, especializado na linguagem de computadores, introduziu o filho na área. Depois, formou-se em Ciências da Computação no Instituto de Tecnologia de Berlim, até acabar ganhando uma bolsa do Google em 2008, que o fez voltar ao Vale do Silício.

No Google, começou a colaborar com a equipe de machine learning, que desenvolvia o Google Translate. “Naquele momento, mencionar este serviço provocava risos, mas a equipe estava cheia de energia, vontade de aprender e pessoas muito inteligentes”, explica Jakob, afirmando: “Eles sabiam que era possível derrubar as barreiras da linguagem”. Hoje, Jakob está ampliando sua visão em direção ao aprendizado automático com imagens e vídeos, e começou um segundo caminho de volta, desta vez a Berlim, a fim de pilotar o grupo Brain de Inteligência Artificial no Google Berlim.

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