Guia básico para principiantes: o que significa investir na bolsa?

Neste texto, descubra o que você precisa saber sobre os mercados de valores e os passos que deve dar antes de fazer seu primeiro investimento.

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Se você tem um dinheiro guardado e quer tirar proveito dele, uma boa ideia pode ser investir na bolsa de valores. Neste texto, descubra o que você precisa saber sobre os mercados de valores e os passos que deve dar antes de fazer seu primeiro investimento.

Foto: Na bolsa são feitas transações públicas de compra e venda de valores. Crédito: Flickr.

O cinema nos mostrou, em várias ocasiões, histórias de corretores da bolsa de valores de Wall Street que se tornaram milionários. Embora todos tenhamos sonhado com isto em alguma ocasião, trata-se de uma utopia complicada. No entanto, claro que é possível tirar proveito das economias que ficam paradas no fundo de uma conta corrente.

No entanto, para que isto dê certo, antes é muito importante fazermos certas perguntas. Como a bolsa funciona? Quanto dinheiro devemos ter para começar a investir? Como evitar ficarmos sem um tostão? Eis o pulo do gato.

O que é a bolsa de valores?

Por definição, a bolsa é a instituição econômica onde são efetuadas transações públicas de compra e venda de valores. Analisando mais de perto, “é o local onde as empresas se repartem e as pessoas podem comprar uma parte minoritária delas, participando de seus ganhos e crescimento”, explica o especialista em economia e autor do livro Inversión en tiempos de tipos bajos, Alejandro Nieto.

As raízes da bolsa são belgas e o nome vem da família Van der Buërse, proprietária de um edifício onde se realizavam reuniões mercantis e transações econômicas muito importantes no século XIII. O brasão de armas desta família de banqueiros retrata três sacos de moeda de couro em forma de bolsa. A atividade econômica que acontecia na Bélgica começou a ser chamada de Buërse e ao longo dos anos a palavra se estendeu a outras cidades, até que em 1602 formou-se a primeira bolsa oficial de valores, em Amsterdã (Holanda).

Por que as empresas entram na bolsa?

As empresas têm dois motivos principais para entrar na bolsa: obter capital para dar impulso ao seu crescimento e gerar liquidez para seus acionistas privados. Estar em uma bolsa de valores gera benefícios extras, como ganhar prestígio e credibilidade.

Vocabulário básico: ações, traders e brokers

O vocabulário das bolsas de valores é vasto e complexo, e podemos nos perder facilmente. A primeira coisa que devemos entender é o que são as ações: valores comercializados na bolsa, que representam as partes nas quais é dividido o capital de uma sociedade ou empresa. O valor teórico de cada uma delas é o resultado de dividir o patrimônio social entre todas as ações emitidas.

Entre os personagens das bolsas de valores, existem dois termos-chave que devemos diferenciar:

  • Trader: operador ou negociador, “é a pessoa que se dedica a comprar e vender ações através da plataforma facilitada pelo broker”, explica José Antonio Piñero, trader e formador do Instituto y Consultoría Bursátil.
  • Broker: é o intermediário financeiro, que pode ser um corretor da bolsa, um banco como o Santander ou uma empresa de investimento. “É uma plataforma que dá a opção de comprar e vender ações das empresas, ou seja, são as pessoas que têm licença para operar no mercado de valores”, explica José Antonio Piñero.

Quero investir, qual seria um bom momento?

Segundo os especialistas, qualquer momento é válido. “Devemos deixar claro a qualquer cidadão, seja funcionário público, fruteiro ou jornalista, que para melhorar seu estilo de vida ele deve ter uma mentalidade de investidor, ou seja, destinar parte de suas economias a investimentos”, explica Juan Haro, cofundador e diretor-executivo da Escuela de Inversión.

Que quantia é necessária para começar a investir?

Em cifras, depende do mercado no qual queremos investir. No caso do mercado de valores europeu, “o normal é começar com cinco ou dez mil euros. No caso de criptomoedas, você pode começar com cinco euros”, explica Juan Haro. Porém, “nunca invista um dinheiro que você poderá necessitar antes de cinco anos, pois se trata de um investimento a longo prazo”, explica Alejandro Nieto.

Como são obtidos os lucros?

Uma vez adquirido esse pedacinho minoritário de uma empresa, existem duas formas de ganhar dinheiro:

  • Partilha de dividendos. Algumas empresas repartem seus lucros (se existem) aos acionistas de maneira proporcional à sua participação.
  • Maior valor da participação. A empresa pode aumentar seu valor na bolsa, já que mais pessoas querem comprar suas ações, que ficaram mais caras, e o lucro ao vendê-las é maior.

Alejandro Nieto faz uma comparação com o mercado imobiliário: “Se você tem um imóvel e o aluga, obtém uma renda mensal. Se o bairro do seu imóvel se valoriza, e você o vende, você lucra em comparação a quando o comprou”.

Na Espanha, por exemplo, esses lucros obtidos devem ser declarados no Imposto de Renda como rendas de economias, com porcentagens de tributação progressivas: 19% até 6.000 euros, 21% entre 6.000 e 50.000 euros, 23% a partir de 50.000 euros.

Por onde começo, se quero investir?

  1. Mergulhe no ambiente do mercado de valores. Aprenda tudo o que puder sobre a cultura do mercado de valores. “Fale com pessoas que estão operando neste momento, tome um café com investidores, veja vídeos de brokers no YouTube, faça um curso gratuito”, enumera Juan Haro.
  2. Memorize o “triângulo do mercado investidor”. Para Juan Haro, três bases imprescindíveis devem estar o tempo todo presentes:
  • Gestão monetária. Devemos estudar muito bem a rentabilidade e o risco que podemos assumir para não perdermos todo nosso dinheiro.
  • Sistema estratégico. É o que nos diz quando devemos entrar e sair do mercado. Define-se uma proporção de perdas e ganhos (de, por exemplo, 3:2, quando você triplica o valor e quando perde o dobro… e sai do jogo) para manter a mente fria e não quebrar.
  • Gestão emocional. Segundo Juan Haro, é a parte mais difícil, pois “as pessoas acham que estão preparadas, mas que a bolsa foi criada para roubar seu dinheiro”. Nunca enlouqueça, ganhando ou perdendo, e não se ache um espertinho.
  1. Comece com uma conta simulada. “Abra uma conta em um simulado com um broker qualquer, comece a pesquisar, a fazer operações e a explorar todos os mercados disponíveis; como se fosse um videogame”, diz Juan Haro. Quando começar a obter resultados, você poderá passar a operar com uma conta pequena e real.
  2. Procure um mentor. Caso queira se especializar de verdade, “procure um profissional que realize as estratégias e sistemas que você quiser aprender para que seja seu mentor no processo”, indica o trader José Antonio Piñero.
  3. Pergunte a si mesmo se você realmente gosta disso. “Algumas pessoas se aproximam da bolsa como se fosse uma casa de apostas, pensando unicamente em ganhar dinheiro. Se você não gostar, não aguentará os maus momentos”, destaca Juan Haro.

Foto: A Bolsa de Nova York é a mais importante do mundo. Crédito: Agencia Central de Inteligência EE. UU

Como e onde devo investir?

A chave é a diversificação, seja nos setores ou nas áreas geográficas. “Devemos diversificar e não apostar tudo em uma empresa, por mais sólida que pareça”, destaca o especialista em economia Alejandro Nieto. Você também não deve se manter no interior das fronteiras do mercado de valores do seu país, podendo investir em qualquer bolsa, de qualquer lugar. “Esta é a magia dos mercados financeiros. Com a tecnologia, tudo é acessível”, indica Juan Haro.

Segundo a Universidade da Bolsa, os dez principais mercados de valores do mundo são a Bolsa de Nova York (EUA), a NASDAQ (EUA), a Bolsa de Tóquio (Japão), a Bolsa de Londres (Reino Unido), a Bolsa de Hong Kong (China), a Bolsa de Xangai (China), a Bolsa de Toronto (Canadá), a Deutsche Börse (Alemanha), a Australian Securities Exchange (Austrália) e a Bombay Stock Exchange (Índia).

Conselhos e estratégias para investir sem perder tudo

As vantagens de investir na bolsa de valores saltam à vista: conseguir lucros partindo do nosso capital, ganhar um dinheiro que podemos ter disponível quando quisermos, gerar economia para o futuro e (por que não?) aprender com o mundo cambaleante das bolsas de valores. No entanto, também existe uma desvantagem latente: a possibilidade de perder nosso investimento, seja por inexperiência ou pela imprevisibilidade do mercado. Para evitar esta situação, devemos ter em conta as seguintes estratégias:

  • Saber quando parar. “Quando começa a operar, você deve estabelecer claramente quanto está disposto a perder e nunca superar este limite”, indica José Antonio Piñero. Um exemplo: “Você não deve superar 1 ou 2% do seu capital ao fazer operações”, estabelece Juan Haro.
  • Nadar contra a corrente. “Você deve comprar quando todo mundo vende, além de vender quando todo mundo compra. Quando tiver conseguido seu objetivo de rentabilidade, embora as ações continuem subindo, dê o fora”, explica Juan Haro.
  • Investimento passivo. Transformar-se em um especialista exige tempo e é complicado. Se você não tem tempo, outra opção é que uma empresa faça suas negociações no mercado de valores (trading) no seu lugar.
  • Muita, muita paciência. Se as suas ações caírem muito de valor, não entre em pânico nem venda muito rápido. Aguente, tudo que cai um dia sobe. Ao menos na bolsa.

 

Por Patricia Ruiz Guevara

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