Fibras naturais que reconhecem o talento empreendedor

Néstor Santiago, do Gran Canaria Explorer Space, ganhou o segundo prêmio no valor de 20.000 euros, graças a Fibras Naturales Canarias.

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Fazia apenas dois dias que desembarcaram na Espanha, vindos do Vale do Silício, e as fortes emoções ainda não tinham terminado. Após uma semana intensa na meca da inovação, os 53 jovens empreendedores locais vencedores do programa Explorer Jovens com Ideias, do Banco Santander, chegaram a Madri cheios de experiências, entusiasmo e vitalidade para participar dos prêmios finais, o Explorer Awards.


Um a um, os vencedores dessa edição subiram ao palco com uma expressão de surpresa e satisfação. Eles não esperavam por isso. Pelo menos, não Néstor Santiago, do Gran Canaria Explorer Space, que ganhou o segundo prêmio no valor de 20.000 euros, graças a Fibras Naturales Canarias, uma startup de economia circular que recupera e transforma o desperdício de milhões de troncos de bananeira para obter bioplásticos. “Eu estava convencido de que os vencedores seriam os projetos relacionados a software, pois estão mais vinculados ao ambiente do Silicon Valley”, conta esse canário apaixonado do empreendedorismo.

Seu projeto veio das mãos da Universidade de Gran Canaria com a ideia de ajudar sua terra, graças ao financiamento do programa europeu Life Baqua. De fato, a Nestor entrou quando a iniciativa já estava em andamento. “A Fibras Naturales Canarias nasceu por conta própria, devido à necessidade de utilizar os resíduos gerados nas plantações de banana espalhadas por toda a ilha”, reconhece.

Ele explica, já reincorporado ao seu dia-a-dia após o “sonho vivido no Vale do Silício”, que os troncos das bananeiras, quando cortados, são levados a um centro de processamento para serem transformados em fibras naturais. Mais tarde, se convertem em sacolas e “são entregues aos agricultores que usam para cobrir as frutas durante o período de amadurecimento. Penso que apicultura, recipientes biodegradáveis ​​ou fertilizantes são outros usos que esse processo industrial patenteado pela Universidade de Gran Canaria oferece aos milhões de troncos que são descartadas anualmente”, conta.

‘Guerra’ ao plástico de uso único

Essa ideia inovadora que impulsiona a economia circular beneficia agricultores, cidadãos e empresas “graças à redução do uso de sacolas plásticas nos cultivos, que somam 130 toneladas, por ano, somente em Gran Canária e que ao desintegrar-se contaminam a terra”, diz o segundo prêmio Explorer 2019.

Quando perguntando sobre a oportunidade de se tornar parte desse projeto, a resposta de Néstor é a mais inesperada e surpreendente: “Meu pai sempre teve uma empresa de fabricação de embalagens de uso único e essa ideia da Universidade incentivava outros tipos de recipientes em prol do meio ambiente e da sustentabilidade. ”Uma espécie de reação juvenil que acabou se tornando uma realidade que fomenta, entre outros aspectos, que “as Canárias importem cada vez menos recipientes plásticos”.

Finalizada a fase de pesquisa, atualmente, a Fibras Naturales Canarias está em processo de difusão, “a única coisa que precisamos é de investimento”. E, por isso, os 20 mil euros pelo segundo lugar no prêmio Explorer serão de grande ajuda, pois “vamos destinar esse dinheiro a testes para continuar desenvolvendo o projeto, realizar envios ou melhorar a imagem corporativa”, diz Néstor Santiago. Paralelamente, ele continua: “esperamos que o governo das Ilhas Canárias se envolva, pois esse modelo de negócios pode ajudar muito nossa terra com a criação de novos negócios, a redução da poluição, etc.”.

Silicon Valley: um sonho que se tornou realidade

Esse jovem canário reconhece que se inscreveu no programa Explorer, promovido pelo Santander com a coordenação do Centro Internacional de Empreendedorismo do Santander, CISE, porque queria viajar para o Silicon Valley. E ele conseguiu: “Foi um sonho realizado estar na meca da inovação, de onde veio tudo, onde estão as origens do empreendedorismo como conhecemos hoje”. Conta que “nem tudo que reluz é ouro. No Silicon Valley, aprendi que tudo tem um lado A e um lado B, e que você precisa valorizar o que tem”.

BactiDec, promovida por José Rodríguez e Carlos de Frías, do Explorer Space da Universidade de Santiago de Compostela, foi escolhida como a melhor ideia empreendedora do ano

Garante que o melhor dessa experiência, além de “entender que tudo a que se propõe pode ser alcançado com esforço”foi conviver com outras feras do empreendedorismo”, com quem, além do relacionamento pessoal que guardarão para sempre”, há muitas possibilidades para começar a colaborar”.

Os melhores empreendedores ‘made in Spain’ de 2019

Durante a entrega do Prêmio Explorer, Néstor Santiago dividiu o palco com José Rodríguez, Sofia Belenguer, Laura San Felipe, Eva Sarachaga e Carlos Roca, os outros vencedores dessa edição do programa.

BactiDec, promovida por José Rodríguez e Carlos de Frías, do Explorer Space da Universidade de Santiago de Compostela, foi escolhida como a melhor ideia empreendedora do ano e reconhecida com 30.000 euros. Essa startup biotech criou um dispositivo que permite ao cirurgião conhecer, em tempo real, o número de bactérias presentes na cirurgia, possibilitando um diagnóstico precoce, agilizando o tratamento e evitando as complicações geradas pelas infecções pós-operatórias.

Já, Sofía Belenguer e Antonio Mancha, do Explorer Space da Universidade Pompeu Fabra, ganharam o terceiro prêmio graças ao MyRealFood, um aplicativo móvel que permite conhecer a qualidade nutricional dos alimentos e usa receitas, gamificação e uma comunidade para manter os usuários motivados.

Completaram o pódio, a startup BAR-ID das empresárias Laura San Felipe e Eva Sarachaga, Explorer Space da Universidade Carlos III de Madri, premiadas com a melhor iniciativa promovida por uma mulher; e a startup Altenea, de Carlos Roca, do Explorer Space da Universidade Complutense de Madri, reconhecida com o prêmio pela tecnologia mais disruptiva.

 

 

 

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