Psicologia no esporte, a união perfeita para conseguir um rendimento regular e constante

A psicóloga esportiva Patricia Ramírez explica como treina esportistas de elite para que entreguem o melhor de si mesmos, potencializem suas habilidades e enfrentem as barreiras psicológicas derivadas da competição.

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A psicóloga esportiva Patricia Ramírez explica como treina esportistas de elite para que entreguem o melhor de si mesmos, potencializem suas habilidades e enfrentem as barreiras psicológicas derivadas da competição


Chegar a ser um esportista de elite não é fácil, e menos ainda manter-se no topo com boa saúde. Por isso, a psicologia do esporte estuda os fatores que afetam o rendimento esportivo e como eles influenciam no desenvolvimento psicológico e físico dos esportistas.

A psicóloga do esporte e da saúde Patricia Ramírez Loeffler sabe muito bem disso: ela trabalhou com esportistas de elite, treinadores e jogadores de futebol de times espanhóis como o Real Betis Balompié, o Real Club Deportivo Mallorca e a Fundación Club Baloncesto Granada.

Com mais de 100.000 seguidores no Instagram e 130.000 no Twitter, Patricia é considerada a psicóloga mais influente das redes sociais, onde diariamente compartilha conselhos práticos para ser mais otimista, aumentar a confiança em si mesmo e enfrentar os problemas. Autora de vários livros, como Así lideras, así compitesEntrena optimismo, ela oferece conferências e colabora com vários meios de comunicação, como no programa Para Todos La 2, e também trata de temas relacionados com a adolescência e a comunicação entre pais e filhos.

Você foi escolhida como a psicóloga mais influente da Espanha. Que papel têm as redes sociais no que se refere à psicologia?

São uma vitrine e um meio para despertar, abrir a mente e dar conselhos práticos. O problema é que serve tanto para a psicologia rigorosa quanto para os charlatões, e existem pessoas vulneráveis que correm o risco de aferrar-se a qualquer coisa. Se você quiser entrar em contato com alguém que possa te ajudar, deve escolher profissionais com formação e experiência relacionada com o que estão vendendo.

No meu caso, as redes sociais me deram muita visibilidade. Nas minhas publicações, eu escrevo sobretudo sobre mudança de hábito, tema com o qual todos nos identificamos. Por isso, meus seguidores se veem refletidos. E quando percebemos que outros têm nossos mesmos medos e inseguranças, deixamos de nos sentir estranhos no ninho.

Você acha que isso contribui para que ir ao psicólogo não seja visto como algo “estranho”?

Sem dúvida. Serve para normalizar e empatizar, pois vemos que existe muita gente como nós. Além disso, as pessoas compartilham coisas muito íntimas nas redes sociais, servindo de espelho para os demais. 

Se falamos de esporte, de que maneira a psicologia pode ajudar? 

Eu trabalho com as variáveis psicológicas que afetam o esporte de alto rendimento, mas são variáveis que influenciam qualquer outra pessoa em seu trabalho: atenção, concentração, administrar a pressão, as emoções e o pensamento para render melhor… E também variáveis neuropsicológicas, como a tomada de decisões e a rapidez perceptiva.

Nós aprofundamos na tríade psicológica: pensamento, emoção e conduta. Em cada um destes elementos existem técnicas e ferramentas para aprender a aceitar pensamentos inúteis, alterar a forma de pensar e ser positivo. Esta visualização permite mudar a execução esportiva.

Que resultados são obtidos?

Trabalhar a psicologia serve para fazer com que o rendimento esportivo se transforme em algo regular e constante. Eu não acredito ser possível conseguir 100% de ninguém, mas isso ajuda a nos aproximar dessa porcentagem nova e que o esportista possa entregá-la sempre que quiser. Embora o talento esportivo seja inato, se alguma variável psicológica estiver interferindo, ninguém poderá oferecer toda sua capacidade. Com treinamento psicológico, podemos nos isolar de tudo o que afeta o rendimento e potencializá-lo para competir.

Nos eSports, ou esportes eletrônicos, também existem psicólogos, é algo comum a todos os esportes e competições?

A psicologia deve esta presente em todos os aspectos da nossa vida: é a ciência que trata do comportamento humano e afeta tanto um garçom quanto um jornalista, recepcionista ou esportista, seja ele amador ou profissional.

Aliás, deveria ser uma matéria de colégio. É absolutamente necessária, seja para competir melhor na internet, como no caso dos esportes eletrônicos, ou para alcançar uma competitividade saudável no mundo empresarial.

Que barreiras costuma enfrentar um esportista de alto nível?

Ele pode enfileirar vários resultados negativos e perder a confiança. Ser muito exigente e perfeccionista e ter um problema permanente de auto-estima, pois sente que não oferece o suficiente. Pode não saber administrar a pressão e ver como a ansiedade o bloqueia e o impede de competir.

A psicologia esportiva, além de melhorar tudo isso, também inclui uma série de treinamentos para potencializar variáveis como a atenção e a concentração. A psicologia não serve apenas para vencer barreiras, mas também para potencializar nossas habilidades.

Como funciona o treinamento psicológico em times de futebol?

Quando eu trabalho com uma equipe técnica, converso com eles no dia do jogo. O conteúdo e a variável psicológica dependem do rival que enfrentam, da posição na tabela, do resultado do jogo anterior…

Se perderam os três últimos partidos, devemos tratar temas relacionados com o relaxamento e a paciência. Se acabam de ganhar três, devemos trabalhar melhor a ambição para que não se relaxem. Cada pessoa tem uma ficha de trabalho, que depois é compartilhada com os companheiros para reforçá-la. Também fazemos jogos para treinar a atenção e a concentração.

Como os jogadores encaram estas sessões?

São conversas muito relacionadas com o futebol, onde todo mundo participa sem ser julgado. Eu só recebi respeito mútuo e honestidade. Odeio que os jornalistas me perguntem o que faço com os egos dos jogadores da primeira divisão. São grandes profissionais, pessoas que querem fazer o melhor possível em seu trabalho. Não devemos fazer juízo de valor de antemão.

Na hora de treinar mulheres esportistas, você faz algo diferente para aliviar o estigma de que o esporte é coisa de homens?

Eu conversei com a equipe feminina de futebol do Betis e tratei as jogadoras a nível individual, mas nunca pensei nisso. A psicologia esportiva com mulheres e homens é a mesma. Por outro lado, é troglodita me perguntarem o que faz uma mulher em um vestiário masculino. Eu não sou uma mulher em um vestiário, mas uma psicóloga em um vestiário. A minha experiência foi maravilhosa.

Por Patricia Ruiz Guevara

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