Inovação ágil para uma indústria marítima mais sustentável

A proposta da bond4blue envolve um sistema de velas rígidas dobráveis que se assemelham às asas dos aviões.

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A startup bound4blue, cofundada pelo engenheiro espanhol David Ferrer-Desclaux, criou velas para barcos inspiradas nas asas dos aviões, prometendo revolucionar o transporte marítimo ao reduzir seu impacto meio ambiental

Embora nascido em Ibiza, David Ferrer-Desclaux nunca teve um grande vínculo com o mar. Ele não ligava para os esportes marítimos nem era um apaixonado pelos oceanos. Hoje, porém, sua vida navega em direção a um rumo fixo: inovar para alcançar um ecossistema de transporte marítimo mais sustentável e menos contaminante.

Estudando em uma universidade catalã, este engenheiro aeroespacial espanhol começou a se questionar. Embora seus estudos fossem centrados na pesquisa da navegação aérea, David sentiu a necessidade de dar um passo além e começou a fazer analogias com a indústria marítima. Por que os barcos não utilizavam sistemas de velas baseados na tecnologia das aeronaves para reduzir o consumo de combustível? Podemos aplicar a engenharia aeroespacial na marítima?

Anos mais tarde, tais perguntas acabaram se transformando na startup bound4blue, surgida em 2015. No mesmo ano, esta pequena empresa lançou ao mercado uma tecnologia inovadora para reduzir as emissões da indústria marítima mundial e controlar os gastos associados ao carburante.

A proposta da bond4blue envolve um sistema de velas rígidas dobráveis que se assemelham às asas dos aviões e que podem ser instaladas em navios mercantes, petroleiros ou barcos de pesca e de passageiros. Além disso, estas velas se orientam de forma autônoma, maximizando a força do vento, reduzindo o uso do motor e economizando combustível.

Suas velas rígidas têm uma estrutura interna de aço e forro de fibra de vidro. E também um sistema automatizado, que permite uma completa autonomia: elas se abrem sozinhas, se orientam segundo as condições do vento e podem girar até 360 graus, mantendo a estabilidade e a velocidade do barco. Além disso, os mastros são retráteis para que a embarcação possa chegar a um porto, sem alterar sua rota de navegação, mesmo encontrando gruas ou pontes.

O impacto direto de suas velas inovadoras, segundo David, é o barateamento do transporte e a redução das emissões: “Elas podem ajudar as embarcações a economizar entre 10 e 40% de combustível e têm um período de amortização inferior a cinco anos“.

O ano de lançamento da empresa não foi escolhido por acaso. Coincidiu com o anúncio da Organização Marítima Internacional de que, em 2020, surgiriam novas leis de redução das emissões de enxofre e de CO2 do transporte de mercadorias pelo mar. David reconhece que, naquele momento, enxergou uma oportunidade: “Não duvidei que seria o momento adequado para sugerir uma alternativa mais sustentável”.

Graças a seu enfoque visionário, David Ferrer-Desclaux foi um dos ganhadores dos prêmios Inovadores menores de 35 Europa 2018 oferecidos pela MIT Technology Review em espanhol. E sua tecnologia já está sendo testada em terra, em protótipos com escala reduzida, e agora passará à fase de integração de unidades em grande escala, nos próprios barcos.

Em 2019, foram fechados acordos com quatro armadores a fim de instalar demonstradores em vários tipos de embarcações. Uma delas será o barco-teatro da companhia La Fura dels Baus, que também inova no seu setor e leva as artes ao mar, a fim de comemorar os 500 anos da volta ao mundo de Magalhães e Elcano. Tanto nesse caso quanto nos demais acordos, o farol que guia a bound4blue é a inovação. Eles navegam bem rápido em direção a um planeta menos contaminado.

 

 

 

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