Aprender a viver melhor medindo as horas de luz do sol

Christina Friis Blach Petersen criou um dispositivo do tamanho de um botão que mede a quantidade de luz solar que uma pessoa recebe ao longo do dia e oferece conselhos para melhorar seus hábitos.

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Christina Friis Blach Petersen criou um dispositivo do tamanho de um botão que mede a quantidade de luz solar que uma pessoa recebe ao longo do dia e oferece conselhos para melhorar seus hábitos.

Em 2017, quando Jeffrey Hall, Michael Rosbash e Michael Young ganharam o Prêmio Nobel de Medicina por suas pesquisas sobre os ritmos circadianos, Christina Friis Blach Petersen ficou animada. Ela sabia que isso acabaria dando um impulso ao seu próprio projeto e à empresa que lançara meses antes, a LYS Technologies. O que alegrava a jovem dinamarquesa era o fato do seu trabalho ter como base a análise do impacto da luz solar no relógio biológico das pessoas, com o objetivo de oferecer soluções para uma melhor qualidade de vida.

Os ritmos circadianos são aqueles que marcam as mudanças físicas, mentais e de conduta de acordo com os ciclos diários de luz e escuridão e que se regulam mediante o relógio biológico de cada uma das células. O avanço feito pelos cientistas vencedores do Prêmio Nobel consistiu em isolar o gene que controla esses ritmos. Graças a isso, foi possível pesquisar de maneira mais precisa como a alteração dos ritmos circadianos afeta o organismo. Algumas das consequências dessas mudanças se refletem na falta de sono, nos transtornos de apetite, no ânimo e até na saúde mental.

Christina Petersen centrou-se precisamente em combater esta alteração dos ritmos circadianos. Após ter estudado Design e Engenharia do Design de Inovação na Kolding School of Design da Dinamarca, no Royal College of Art de Londres e no Imperial College, também em Londres, Christina decidiu embarcar em seu próprio projeto, pensando em combater os efeitos prejudiciais da alteração dos ritmos circadianos.

Com sua empresa, LYS Technologies, Christina Petersen criou um acessório para roupa pouco maior que um botão, que mede a luz solar recebida durante um dia. O dispositivo transmite a informação via Bluetooth a um aplicativo que analisa os dados recebidos e oferece conselhos para melhorar as rotinas do usuário.

O dispositivo azul-marinho de 2,8 cm. de diâmetro pesa quatro gramas, tem um clipe para que possa ser preso à roupa e está à venda em 11 países. Até hoje, mais de 2.000 unidades foram vendidas, especialmente para empresas que os enxergam como um benefício para seus trabalhadores. Segundo um teste-piloto realizado pela equipe de Christina, após três semanas de uso “a média de tempo que essas pessoas demoravam para dormir reduziu-se de 27 para 16 minutos”.

Para Christina Petersen, que ganhou o prêmio Inovadores Menores de 35 anos da Europa 2018, da MIT Technology review em espanhol, o problema da alteração dos ritmos circadianos por conta da ausência de luz solar não é exclusivo das regiões nórdicas nem de Londres, onde ela mora e onde a incidência de luz solar é menor que em outros lugares. “Você pode morar na Espanha ou em um país banhado de sol e passar mais de 10 horas trabalhando em um porão, sem tomar luz solar em momento algum“, explica Christina, e conclui: “Por isso é importante medir a quantidade de luz solar que se recebe e, caso seja escassa, tomar providências, pois isso afeta a saúde“.

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