Serviços bancários inclusivos: como a tecnologia está eliminando o hiato

Ter acesso a serviços financeiros eficaz é crucial para o desenvolvimento econômico, além de ser um elemento importante nos esforços para erradicar a pobreza. 

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Ter acesso a serviços financeiros eficaz é crucial para o desenvolvimento econômico, além de ser um elemento importante nos esforços para erradicar a pobreza. Serviços bancários inclusivos com a mais recente tecnologia asseguram que todos tenham acesso aos benefícios dos serviços bancários.


Uma pequena cabana branca de uma vila no sudoeste da Escócia é um lugar incomum para encontrar um pedaço de história bancária global. Mas foi aqui, na aldeia de Ruthwell, perto de Dumfries, que o Reverendo Dr. Henry Duncan abriu o primeiro banco de poupança comercial do mundo.

O ano era 1810 e, mesmo assim, os serviços bancários não eram totalmente novos. O conceito de banco moderno surgiu durante o século anterior ao Dr. Duncan criar seu banco. No entanto, até então os bancos eram apenas para os relativamente ricos; era necessário um depósito de £10 para abrir uma conta bancária (algo como £800 em valores de 2018). O Dr. Duncan queria estender os benefícios de um banco de poupança para os pobres, então ele pedia seis pence, em torno de £30 em 2018 – e os membros recebiam 4 por cento de juros para cada libra inteira que eles poupavam.

O Dr. Duncan não foi o primeiro a tentar criar um esquema de poupança, mas ele tinha passado três anos trabalhando para um banco em Liverpool de se tornar ministro e sentiu que poderia criar um banco que teria sucesso onde outros tinham falhado. Ele garantiu o apoio dos proprietários de terras locais e estabeleceu o banco sobre princípios sólidos de negócios, de modo que ele seria autossustentável. Ele fundou um jornal, The Dumfries and Galloway Courier, para divulgar seus esforços.

Em cinco anos, haviam bancos de poupança baseados em seu modelo por todo o Reino Unido, e a ideia pegou rapidamente na Europa e nos EUA também. O Dr. Duncan viajou muito para ajudar a estabelecer bancos em outros lugares. A cabana na qual ele começou o seu banco de poupança é agora o Museu dos Bancos de Poupança.

Além de criar o banco de poupança, o Dr. Duncan foi um pioneiro do que hoje é chamado de “serviços bancários inclusivos”. Serviços bancários inclusivos pode ser traduzido em assegurar que todos possam acessar serviços bancários; isso significa fornecer serviços acessíveis e que satisfazem as necessidades dos “sem banco”, aqueles na sociedade que não têm acesso a uma conta bancária.

Serviços bancários inclusivos são importantes para a sociedade porque eles ajudam a tirar as pessoas da pobreza e a reduzir a desigualdade. Muitos bancos têm procurado maneiras de manter essas pessoas no sistema bancário, muitas vezes oferecendo-lhes contas que permitem serviços de depósito e pagamentos com cartão, mas não lhes oferecem cheques-especiais ou empréstimos.

Modelos de inclusão financeira no mundo

As pessoas podem ser excluídas de serviços bancários por praticamente qualquer motivo, de dificuldades financeiras no passado, como uma falência, até o fato de serem novos em um país. Mudanças de hábitos de trabalho, por exemplo, a “gig economy”, significa que muitas pessoas não têm um salário regular, geralmente exigido pelas contas correntes.

No mundo em desenvolvimento, os problemas são mais sistêmicos e abordar a inclusão significa encontrar uma maneira de oferecer qualquer tipo de serviço. Pessoas em partes da África ou da Índia podem estar muito longe de qualquer tipo de centro populacional onde possam encontrar uma agência bancária.

A incapacidade para os agricultores de acessar créditos ou seguros pode ter efeitos generalizados. Um relatório do Banco Mundial de 2012 afirmou que havia um vínculo “robusto” entre “pancadas de chuva” na Nigéria – padrões imprevisíveis na seca que podem destruir colheitas, por exemplo – e as relações de peso-altura e altura-idade nas crianças do país.

Os agricultores respondem cultivando culturas mais resistentes, mas menos rentáveis. Startups como Bima estão oferecendo serviços financeiros inclusivos para esses agricultores, oferecendo pela primeira vez “microsseguros” para suas lavouras – produtos de exposição limitada para a população de baixa renda com prêmios muito pequenos.

No Quênia, em 2006, apenas 20 por cento da população adulta tinha conta bancária. Havia pouco acesso a caixas eletrônicos e a transferência de dinheiro era difícil. As pessoas tinham começado a negociar tempo de antena do telefone móvel como um proxy para o dinheiro. Em 2007, foi lançado o sistema de transferência de M-Pesa, permitindo que as pessoas enviassem dinheiro facilmente e lhes oferecendo uma forma mais segura de guardar seu dinheiro. Em 2013, 67 por cento dos quenianos tinham algum tipo de acesso a serviços financeiros.

A África estava à frente do Ocidente quanto a pagamentos móveis, mas a geração Millennial (geralmente os nascidos entre o início dos anos 1980 e início dos anos 2000) não demorou muito para se recuperar.

Eles usam o Venmo ou o Facebook para fazer pagamentos rápidos para amigos e levam suas vidas nos smartphones. Além disso, eles são particularmente ambivalentes sobre serviços bancários. Três quartos dos millennials americanos disseram aos pesquisadores que estavam mais empolgados com um serviço financeiro da Amazon, PayPal ou Google do que do seu banco.

Quais os benefícios da inclusão financeira?

Entretanto, esses serviços ainda não trazem os benefícios que vêm com os serviços bancários inclusivos. Para os indivíduos, o acesso a serviços bancários significa que eles são mais capazes de resistir a choques financeiros, como um problema de saúde de longo prazo ou a perda de um emprego, pois eles têm acesso a empréstimos e limites bancários e acumularam juros sobre as suas poupanças.

E os serviços bancários inclusivos oferecem oportunidades para adiantamentos. Para os agricultores da Nigéria, a rede de segurança dos microsseguros tinha benefícios claros e imediatos. Eles estavam dispostos a assumirem mais riscos nas lavouras que cultivavam e, como resultado, suas fazendas eram mais rentáveis. Isso lhes dá mais dinheiro para gastar com sua família, por exemplo, pagando pela educação dos seus filhos, o que proporcionará mais oportunidades para a próxima geração.

Em muitas partes do mundo, inclusão financeira significa que as mulheres podem, pela primeira vez, ganhar mais independência e participar mais plenamente da sociedade, onde anteriormente suas vidas eram financeiramente controladas pelos homens, como seus maridos ou pais.

Os serviços bancários inclusivos trazem os mesmos benefícios para as pessoas no Ocidente, proporcionando às pessoas acesso aos recursos que precisam para iniciar ou desenvolver um negócio, uma oportunidade que lhes permite alcançar seus sonhos, também sendo propício a uma economia vibrante. Além disso, é possível financiar um carro ou comprar uma casa, algo que pode ser quase impossível para os que não têm, ou quase não têm, acesso a bancos.

O crescimento da tecnologia torna os serviços bancários inclusivos ainda mais importantes para as pessoas, por causa de uma nova geração de aplicativos móveis e serviços on-line que usam sistemas de pagamento que exigem uma conta bancária. Aqueles sem acesso a serviços bancários correm o risco de serem excluídos de várias partes da economia digital.

Além disso, no entanto, serviços bancários inclusivos proporcionam aos indivíduos mais liberdade e autonomia quando se trata de gerenciar o seu dinheiro e a sua vida. Isso, por sua vez, ajuda a torná-los mais confiantes em suas escolhas e independentes em seus estilos de vida.

Uma nova onda de primeiros serviços bancários móveis foi lançada nos últimos anos, em uma tentativa de manter os serviços bancários atualizados com o comportamento moderno e garantir que sejam tão abrangentes quanto possível. A necessidade da inclusão – levando serviços bancários a todos que precisam deles, de uma maneira que funciona para eles – é tão grande como sempre foi. É um problema que o Dr. Duncan teria entendido.

 

 

 

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