Em busca do envelhecimento ativo

Beatriz Santamaría e Eider Etxebarria criaram o Bizipoz, um projeto que visa ajudar a manter ativas as pessoas com mais de 55 anos de idade e orienta-las sobre saúde, economia e o campo emocional.

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Beatriz Santamaría e Eider Etxebarria criaram o Bizipoz, um projeto que visa ajudar a manter ativas as pessoas com mais de 55 anos de idade e orienta-las sobre saúde, economia e o campo emocional.


Chega um momento na vida em que toda pessoa, quando atinge uma certa idade, corre o risco de deixar de se conhecer e de se isolar diante das mudanças que acontecem à sua volta.

Conscientes da importância deste grupo não ser excluído da sociedade, duas jovens de Guipúscoa, Beatriz Santamaría e Eider Etxebarria, criaram o Bizipoz (um trocadilho em basco que significa “viver feliz”) com o objetivo de incentivar o empoderamento aos mais velhos para que tenham um processo de envelhecimento ativo. Projeto que, por sua relevância e impacto social, venceu o Prêmio Jovens Empreendedores Sociais 2018, promovido pelo Banco Santander por meio do Santander Universidades, junto com a Universidade Europeia de Madri, UEM.

Tudo começou em 2015, quando Beatriz e Eider estudaram Liderança Empreendedora e Inovação na Universidade de Mondragón. Desde o início, elas deixaram bem claro que queriam fazer algo para melhorar a vida dos mais velhos.

Naquele ano, o último da faculdade, elas apresentaram um projeto como trabalho final que, dois anos depois, se tornaria o Bizipoz. “Nós falamos isso de coração. Tínhamos muito claro que queríamos ajudar as pessoas idosas a viver melhor seus anos restantes”, diz Eider.

As meninas têm uma frase gravada em suas mentes que resume muito bem o que está por vir: “Viver mais não significa que você viverá melhor”De fato, a expectativa de vida aumentou nos últimos anos e continuará assim. Por esse motivo, precisamos ensinar os idosos a viver melhor.

Bizipoz nasceu precisamente para isso. Dessa forma, através de programas sobre envelhecimento ativo, pessoas com mais de 55 anos aprendem com os setores de saúde, economia, novas tecnologias e inteligência emocional a participar da evolução da sociedade. Para conseguir isso, as duas contam com uma grande rede de colaboradores especializados que, como dizem, “constituem o pilar de seu trabalho”.

Inicialmente, Bizipoz surgiu com essa missão, embora já tenha implementado um programa de “cidades amigas” para facilitar a mobilidade e acessibilidade dos idosos nas cidades, além de colaborar com os municípios para investir em cursos ou palestras para empodera-los.

Além disso, outro fator que elas não queriam deixar de lado era a aposentadoria. Portanto, começaram a trabalhar com outras empresas para criar programas que facilitassem a transição, a fim de que essas pessoas adquirissem recursos específicos para se sentirem ativas e úteis depois que parassem de trabalhar.

A realidade é que o perfil dos idosos nos municípios onde o Bizipoz trabalha varia. Suas necessidades são diferentes. No entanto, a maneira pela qual a cooperativa normalmente atua é semelhante em todos os lugares: se concentram, principalmente, na prática e na dinâmica ativa que podem durar até um ano em grupos compostos por cerca de 15 a 20 indivíduos.

Mesmo assim, o perfil mais comum são pessoas entre 55 e 65 anos, pré-aposentadas e, também, muitas donas de casa. “Elas são proativas e ter essa nova porta para o envelhecimento as fez abrir os olhos para uma realidade mais esperançosa e encontrar um espaço”, disseram Beatriz e Eider.

A razão pela qual Bizipoz se dirige a pessoas a partir dos 55 anos é porque estudos e relatórios internacionais falam de “pessoas mais velhas” a partir dessa idade. “Não podemos começar a formar pessoas quando já tenham uma certa idade. A ideia é atuar sobre a prevenção, para que elas adquiram gradualmente novos hábitos saudáveis ​​ou internalizem conceitos de envelhecimento ativo. Tudo está na prevenção, é por isso que começamos a trabalhar com elas depois dos 55”, comentam.

O sucesso do Bizipoz é que ele se reinventa continuamente e se adapta às mudanças sociais. O projeto nasceu, primeiro, para desempenhar um papel específico e hoje engloba empresas, serviços sociais e associações. “Você sempre pode fazer coisas novas com o objetivo do envelhecimento ativo. Nosso trabalho é seguir em frente, avançar para que, depois, não seja necessário investir na dependência”, contam elas.

Além de oferecer esse serviço, diante da escassez e da falta de ação ao lidar com o atual e futuro problema demográfico, o que caracteriza Beatriz e Eider é sua verdadeira vocação. Uma em cada quatro pessoas na Espanha tem mais de 55 anos e em 2050 esse número chegará a 35%.

O enorme trabalho que elas fazem em Bizipoz levou a ganhar prêmios muito importantes. Por exemplo, a presença na Revista Forbes na lista dos 30 projetos de jovens com menos de 30 anos com maior potencial inovador e capacidade de transformar seu setor.

O que Beatriz e Eider mais valorizam é ​​a diferença na forma como os idosos começam e terminam o curso. “Essas pessoas vêm com a sensação de “última saída”, porque a aposentadoria as coloca em um poço profundo. Elas se olham no espelho e se veem com alegria. Os depoimentos e resultados nos dizem que vale a pena o que estamos fazendo e é por isso que continuamos empenhadas”, concluem.

 

 

 

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