Confiança, fator fundamental no trabalho das ONGs

As organizações focaram sua estratégia em atrair parceiros por meio de políticas baseadas em total transparência no que diz respeito ao uso dos recursos e à sua gestão.

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Um relacionamento não sobrevive sem confiança. Nem no campo pessoal nem no profissional. Segundo o Edelman Trust Barometer 2019, a confiança dos espanhóis nas ONGs caiu de 61% para 53%. Por esse motivo, tanto elas como as empresas trabalham para se reconectar com a sociedade.


Aconteceu há 11 anos. Uma das piores crises econômicas da história trouxe problemas políticos e sociais e, portanto, resultou em uma crise brutal de confiança nos atores econômicos mais importantes.

Seus efeitos, registrados por numerosos estudos, ainda se fazem notar. Durante esse período, empresas, políticos e organizações tiveram que trabalhar muito para lavar sua imagem.

Ninguém escapou. Até as ONGs, atuantes na inclusão e no progresso dos mais desfavorecidos, foram questionadas. É essencial que qualquer membro de uma organização tenha certeza de que sua contribuição financeira chega ao destino pretendido. Essa crise de confiança foi agravada pelo escândalo mundial da ONG Oxfam, especialmente no trabalho realizado no Haiti, após o trágico terremoto de 2010.

O fato é que, mesmo que injusto, o Eldelman Trust Barometer 2019 anunciou que a confiança dos espanhóis nas ONG passou de 61% para 53%. Por esse motivo, as organizações focaram sua estratégia em atrair parceiros por meio de políticas baseadas em total transparência no que diz respeito ao uso dos recursos e à sua gestão.

Conscientes da importância do papel das ONGs na sociedade, surgiram grandes projetos que visam ajudá-las a recuperar essa confiança. Um deles é a Fundação Lealtad, que tem o Banco Santander como patronato.

A fundação nasceu em 2001 com o objetivo de incentivar a confiança nas ONGs para aumentar sua renda e o número de parceiros. Foi o primeiro projeto dessas características na Espanha, onde, até então, não havia um “medidor” de boas práticas das organizações.

O trabalho da Fundación Lealtad consiste, entre outras coisas, em fornecer o selo de ONG credenciada àquelas que o mereçam. Para isso, elas devem cumprir os 9 princípios de transparência e boas práticas. A Fundação publica os relatórios em seu site para que possa manter bem informados a todos que desejem contribuir com as ONGs.

“O processo de análise para provar a transparência e as boas práticas de uma ONG é exigente e voluntário”, diz Ana Benavides, diretora geral da fundação. A operação é a seguinte: as organizações recebem uma formação, preenchem um questionário e suas práticas são analisadas com o objetivo de desenvolver um roteiro que as ajude a abordar os campos que tenham pendentes.

Se a ONG cumprir esses 9 princípios, ela obtém o selo da ONG credenciada, que deve ser renovada a cada dois anos, passando pela mesma análise. Entre os aspectos levados em consideração estão a veracidade da sua comunicação, o cumprimento das obrigações legais, a coerência de suas ações com a missão e a sustentabilidade financeira.

“No caso das ONGs, confiança e transparência são fundamentais. A sociedade é mais exigente com elas do que com outros setores, porque trabalham com grupos vulneráveis ​​e espera-se que atendam a uma questão social. Sua gestão deve ser eficiente, impecável e inquestionável”, afirma Benavides.

“Tentamos responder a todas as perguntas que um doador pode fazer antes de colaborar com uma ONG, sejam elas privadas ou institucionais: Quem toma as decisões? Como é financiada? Qual é a distribuição de fundos entre missão, administração e captação de recursos?”.

Essa é a única maneira de ganhar a confiança da sociedade. O último perfil de doador de 2018, feito pela Associação Espanhola de Captação de Fundraising, revela que 44% dos entrevistados não colaboram com nenhuma ONG, precisamente por falta de confiança.

“Nosso selo é uma garantia do excelente trabalho que as ONGs desenvolvem e de seu alto nível de profissionalismo”, destaca Benavides.

As instituições financeiras desempenham um papel essencial na facilitação da colaboração com uma ONG ou na promoção de iniciativas que canalizam a solidariedade por meio de pagamentos fáceis e seguros. O Banco Santander foi uma das primeiras entidades a apoiar a Fundação Lealtad. “Eles nos acompanharam em cada etapa, quando publicamos os primeiros guias de transparência, quando lançamos o Selo ONG Credenciada e, agora, que estamos em um grande projeto de digitalização”.

Uma das grandes iniciativas do Banco Santander é o programa Euros do seu salário, em que seus funcionários doam uma parte do seu salário à ONG que escolherem. No total, mais de 3,3 milhões de euros foram destinados a 82 projetos.

“Nestes 18 anos, vimos como as ONGs são capazes de fazer muito com poucos recursos. Elas têm uma força incrível para mobilizar, somar e dar soluções para problemas sociais complexos. Enfrentam novas realidades sem temores. Portanto, não devemos permitir que incidentes absolutamente pontuais e isolados manchem seu trabalho diário e, muito menos, a reputação do setor como um todo”, conclui Benavides.

 

 

 

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