Bolsas e programas para a inclusão feminina

Igualdade de gênero no campo científico-tecnológico é um dos grandes desafios enfrentados pela sociedade espanhola.

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Um raio-X no campo científico-tecnológico da Espanha desenha um panorama já conhecido em relação às mulheres: ao mesmo tempo em que são mais as alunas matriculadas na universidade pública (54%), a quantidade é reduzida em relação à tese lida (50%), cientistas em exercício (39%) e, finalmente, diretoras e docentes (21% no setor público e 43% no privado).


Neste último aspecto, é surpreendente que exista apenas uma mulher que represente um dos sete órgãos públicos de investigação dependentes do governo da Espanha. Trata-se de Rosa Menéndez, Presidente do Conselho superior de investigação científica (CSIC).

Algumas das porcentagens recolhidas pelo estudo da UNESCO “mulheres na ciência” confirmam, como em muitos outros campos, que elas têm todos os tipos de contratempos para galgar degraus na carreira, muitos deles estruturais e que também se chocam com os efeitos da crise. No entanto, não são dados tão ruins se equiparados à da UE, que atinge apenas 33% dos estudantes do sexo feminino. Já a nível mundial, a UNESCO coloca-a em 30%. O fato de que os números estejam estacionados desde 2009, de acordo com o estudo “cientista em números” do Ministério da economia, nos faz crer que há um longo caminho a per correr.

Sendo conscientes de que a igualdade de gênero no campo científico-tecnológico é um dos grandes desafios enfrentados pela sociedade espanhola (e o planeta em geral, como informa a organização das Nações Unidas, em sua agenda 2030 de desenvolvimento sustentável), existem diferentes organismos públicos e privados com bolsas de estudo que procuram aumentar a presença de mulheres neste campo. Sem dúvida, um dos que mais está produzindo postos hoje em dia, o que representa um campo-chave para criar uma economia de valor agregado. Aqui estão alguns exemplos:

For Women in Science da L’Oréal e Unesco 

O programa mais antigo foi lançado pela L’Oréal Corporate Foundation e pela UNESCO, em 1998, e está comemorando o seu vigésimo aniversário. Por um lado, reconhecem, de ano para ano, a tarefa de cinco pesquisadoras destacadas, de cinco áreas diferentes do planeta, que contribuíram para o avanço científico. Desde o lançamento do programa, os prémios L’ Oréal-UNESCO distinguiram uma centena de mulheres, sendo que duas delas receberam o prêmio Nobel.

Na Espanha, o programa desenvolveu múltiplas ideias para dar visibilidade às mulheres cientistas e promover a vocação das gerações futuras. Entre elas, destacam-se os intercâmbios de pesquisa, que anualmente dão cinco bolsas de 15.000 euros a jovens cientistas com o objetivo de desenvolver seus projetos de pesquisa.

Becas Talento Mulher do Banco Santander

A segunda edição do programa de bolsas de talentos femininos do Banco Santander – cujo prazo para submissão de candidaturas termina em outubro – oferece 25 apoios financeiros a mulheres que desejam estudar Mestrado e pós-graduação em campos STEM (Ciências, tecnologia, engenharia e Matemática), com a posterior realização de práticas de formação no próprio banco.

O objetivo é promover ativamente o desenvolvimento do talento feminino e facilitar sua integração no mercado de trabalho. Uma comissão considerará e avaliará a experiência profissional de cada uma das candidatas, seu histórico acadêmico e seu nível de inglês. As 25 mulheres que conquistem a bolsa receberão 75% do custo do curso, com um máximo de 5.000 euros.

Mothers of Science, do Barcelona Institute of Science and Technology

O Barcelona Institute of Science and Technology (BIST), começou, no final do ano passado, seu programa de bolsas de estudo sobre Mães da Ciência, com o objetivo de contornar uma informação com a qual não se sentia à vontade: contavam com 41% de pesquisadoras, mas apenas 15% dos diretores de projeto eram mulheres. Assim, em sua primeira edição, eles concederam dez bolsas de estudo de 400 euros por mês, ao longo de um ano, com um montante aproximado de 50.000 euros.

O objetivo da iniciativa é apoiar pesquisadoras com filhos que estejam em processo de competição por uma situação de liderança científica e que, assim, podssam pagar uma babá extra ou uma viagem de trabalho para continuar com suas pesquisas. Outra das ações do programa BIST-Empowering Women in Science é a criação de uma rede de guias que conecte pesquisadoras iniciantes a cientistas mulheres líderes para que possam trabalhar em conjunto no desenvolvimento profissional.

Women Techmakers Scholars, do Google

A gigante digital tem este programa de ajuda para promover a presença de mulheres no campo das TIC, inspirado na visão da Dra. Anita Borg, uma vanguardista na luta pela igualdade de gênero no campo da computação e das novas tecnologias.

Os vencedores das bolsas de estudos (o prazo para submissão a esta edição já está fechado) receberão 7.000 euros para cursar uma graduação ou pós-graduação na área de Ciência da Computação, Engenharia da Computação, Ciência da Computação ou outra disciplina técnica relacionada. É claro que as candidatas escolhidas devem ter um excelente histórico acadêmico e demonstrar liderança e paixão com o objetivo de aumentar a presença feminina no universo da tecnologia.

Projeto europeo Hypatia, com presença do FECYT

Neste caso, não se trata de nenhum programa de bolsas de estudo, mas de um projeto europeu cujo objetivo principal é promover que meninas de 13 a 18 anos optem por ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), em ambos centros de ensino como, posteriormente, em suas trajetórias acadêmicas. Na Espanha, enquanto que nas carreiras científicas as alunas correspondem a 51%, nas carreiras de engenharia e arquitetura esse valor atinge apenas 25% do total.

O programa também incentiva a participação de centros de educação, museus, instituições de pesquisa e também da indústria, na comunicação do modelo STEM, desde uma perspectiva inclusiva em termos de gênero. Uma das chaves de Hypatia, na qual a Fundação da Espanha para Ciência e Tecnologia (FECYT) participa, é a criação de “hubs” nacionais, nos quinze países que participam do projeto, para fortalecer a interação de todas e de cada uma das partes interessadas.

 

 

 

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